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Domingo, Dezembro 11, 2005
Pearl Jam - 4-12-2005 - Praça da Apoteose, Rio de Janeiro E os primeiros acórdes de Yellow Ledbetter, mais que emoção e realização de um sonho trouxeram um sentimento estranho de perda. Invariavelmente o Pearl Jam encerra seus shows com seu clássico B-Side. 15 anos de espera passaram em 2 horas e 18 minutos de show. Um Eddie Vedder simpático e comunicativo esbanjava voz após mais de 10 horas de show em pouco mais de 5 dias, sendo 3 apresentações em noites seguidas e o restante da banda mostrou aos desavisados que nunca foram coadjuvantes de uma estrela solitária. Não sabia como iniciar essa análise então comecei do fim, da ressaca que inevitavelmente acompanharia uma noite da mais intensa diversão, ressaca que faria com que muitos se arrependessem do que fizeram na véspera, mas 40 mil pessoal jamais se arrependeriam daqueles mais de 2 horas onde puderam escutar hits como Do The Evolution, Even Flow, Jeremy, Las Kiss, Better Man, Black e Yellow Ledbetter. Tudo começou com os primeiros acórdes de Last Exit. A multidão veio abaixo e não era pra menos, pois era o fim de 15 anos da mais angustiante espera. Daí pra frente cada um tinha suas pedidas, uns queriam Jeremy, outros Alive, outros Better Man, outros state of love and trust e por aí foi, mas com tantas músicas nem todos saíram 100% satisfeitos nesse ponto, era impossível para uma apresentação de menos de 4 horas. Passada a euforia da 1ª música Eddie e a banda não deixaram o rítmo cair ao emendar Do the Evolution, música que ao vivo cresce de forma absurda e que mostra toda a potencia da voz de Vedder. Save You e Animal não deixaram o público tirar o pé do acelerador 1 minuto e só na 5ª música houve uma pequena quebra de rítmo com Insignificance, a primeira surpresa da noite que seguiu com Corduroy e Dissident, que embora sensacional foi presságio de uma péssima notícia: Rearview Mirror havia sido deixada de lado. E a partir de então os hits começaram a aparecer, Even Flow foi o primeiro e trouxe (pra variar) um virtuoso só de Mike McCready. Leatherman foi mais uma surpresa, mas que por não ser das mais conhecidas serviu de descanso pro início arrebatador. Descanço pois em seguida vieram Given to Fly e Daughter, uma das preferidas do público. Nova comoção popular veio alguns minutos depois com mais um clássico retirado do segundo álbum da banda. Elderly Woman Behind the Corner in a Small Town, uma bela balada emocionou a platéia que das arquibancadas acendiam seus celulares numa adaptação aos novos tempos de antitabagismo e globalização. Down, Once e Go encerraram a 1ª parte do show. Na volta, municiado apenas de seu Ukulele, Vedder ressucitou a bela Soon Forget, uma música com uma ironia quase juvenil em rítmo de história contada. Qdo ele errou os primeiros acórdes o público delirou e, divertindo-se com seu erro o cantor pediu desculpas e voltou do início. Foi só o início de um dos momentos mais emocionantes do show, Better Man foi entoada por um coro de milhares de vozes e o show de luzes voltou as arquibancadas. A banda deixou com o público a tarefa de cantar e ficou apenas contemplando o espetáculo para inserir no meio da música I wanna be your boyfriend. Foi o início da fase Ramones do show que contou ainda com gritos puxados por Vedder de Hey Ho, Rio (estes quase que desde o início da noite) e I Believe in miracles (crença que todos já tinham assimilado após 1:30 de show). O primeiro bis terminou algumas músicas depois com Alive que, embora batida, ainda é uma das preferidas do público, o que pôde facilmente ser percebido. Falta alguma coisa? Pois é, os gauchos que me desculpem, mas sem Black não dá! O segundo bis foi recheado de Hits e teve inicio com Last Kiss, a mais conhecida e cantada (sic) pelo público e continuou com... sim, com Black. Estava realizado! Eu e outras milhares de pessoas. Faltou ar... era a emoção, a música a multidão, a grade... um conjunto de fatores... nada no entanto que pudesse retirar a grandeza daquele momento. 12 minutos de extase, 12 minutos para nãe se esquecer, para comprova que a vida valeu a pena, ao menos até aquele momento. Depois de toda essa emoção Jeremy, outra música na qual poderia falar o mesmo que falei de Alive veio, mas dessa vez não havia mais o risco de faltar a principal e a fala do garoto suicida ecoou na apoteose. Depressão, tristeza, alegria... uma mistura de sentimentos surgiu com as primeiras notas de Yellow Ledbetter. Era a última música... era o início de outra angustiante espera pela próxima vez. Embora clássica a música carrega consigo este estígma e quando do seu começo muitos começam a chorar. Trata-se da minha música preferida e, não a toa, é o toque do meu celular, não seria eu a ficar triste ao menos por fora, já que o que sentimos realmente podemos esconder, e com o fim da música a melhor surpresa da noite. Enquanto cumprimentava o público Ed fez sinal de mais uma e perguntou ao público "one more?" Claro!!! e veio o final apoteótico. Baba O´Riley pôs fim a noite tirando o peso que recaía sobre os ombros de YLB e mostrou a todos que o Rio de fato é especial, merecendo um desfecho único, uma espécie de 3° bis não programado. A banda se foi com a certeza de missão cumprida e minha análise termina aqui e, ao contrário dos jornalistas profissionais de O Globo, Folha, Estado de São Paulo e outros não usei uma vez a palavra catarze... Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 10:12 PM Ficha Técnica:
Quinta-feira, Setembro 22, 2005
Los Hermanos 11-09-05 A noite era de festa. Ocorria no Metropolitan/ ATL Hall/ Claro Hall o lançamento do CD IV em terras cariocas e a casa estava lotada de adolescentes imberbes e meninas que mal haviam tido sua primeira menstruação. Era o cenário ideal para os Hermanos atacarem com o hit adolescente Anna Júlia, mas eles não primam pelas convenções. Sobre o show só a dizer que refletiu exatamente o que o CD novo é, foi insosso. As músicas novas, com raras exceções não funcionam, falta pegada, falta sobretudo sentimento. É um apanhado de palavras tristes cantadas sem propósito por alguém, que víamos, não sentia a música. Camelo e Amarante pareciam tão emocionados e tocados com aquelas letras melancólicas quanto Mengele ao abrir a válvula do gás. Caíram no lugar comum de cantar tristezas somente para aparentarem pessoas sensíveis e isso tornou o show (e o CD) completamente vazio. Aliado a está falta de cumplicidade com o clima das canções há um retorno ao estilo minimalista do primeiro CD, mas sem sua pegada. Los Hermanos chegam ao 4° CD cansados e pouco inspirados. O Claro Hall com seu péssimo sistema de som (mais uma vez, pois já havia ocorrido no show do nando Reis -vide resenha anterior-) pareceu ser o palco perfeito para esse show, pois todos os problemas disfarçaram a desafinação de Camelo que torna-se gritante em músicas lentas e sussurradas. Essa deve ser a 5ª resenha que escrevo sobre show do Los Hermanos e é a primeira negativa. Sou fã da banda e fui a shows de todos os CDs, antes de lançarem o 1° já tinha ido a um show. Minha análise é comparativa e o show dessa turnê me pareceu um tanto frio. Espero que tal como Meladroit (o quarto do Weezer e que pra ser sincero eu gosto) esse CD IV tb venha a ser preterido dos shows da banda (e logo). Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 7:24 PM Ficha Técnica:
Segunda-feira, Abril 04, 2005
Uma religião, um estilo de vida... Nesses tempos de redescobrimento de fé faça da música sua crença, do rock sua religião e da guitarra seu ídolo. Deixe os sons penetrarem em suas almas e agirem profundamente sobre seus seres. Mas não se fechem por completo, entendam que outras religiões existem, todas pertencentes a mesma crença. Não somos melhores ou piores que ninguém, somos apenas nós. Tolerem as outras religiões e evitem tentar obter conversões, pois nossos Deuses não estão sempre com razão, seus acordes muitas vezes podem ser dissonantes. Nossos bispos, padres e cardeais não são enviados de ninguém, são apenas figuras terrestres que aqui estão para realizar nossa fé, cantar conosco nossos hinos e rezar conforme manda nossa bíblia, pois nosso Papa jamais morrerá enquanto existir um CD player, um toca-discos, um walk man. Nossa fé é eternamente superficial e isso que faz dela uma fé, isso que faz dela uma religião e isso que nos faz amá-la. E sim, somos politeístas, temos milhões de versos espalhados por todos os cantos, falamos dezenas, centenas de idiomas, trazemos igualmente alento a todo tipo de pessoa. Nossos cultos fazem milhões chegarem às lágrimas, alcançarem o nirvana, obterem o perdão divino e passarem uns momentos no paraíso antes de retornarem aos infernos de seus dia-dias, afinal, a religião não busca confortar-nos de nossas mazelas terrenas? eximir-nos de nossos pecados? Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 9:45 PM Ficha Técnica:
Segunda-feira, Março 07, 2005
Nando Reis - 06/03/2005, Metropolitan/ ATL/ Claro Hall Era uma noite quente. No Maracanã Flamengo x Botafogo faziam o único jogo do campeonato estadual do Rio que valeria a pena ser assistido e, do outro lado da cidade, na Barra, estava em uma fila de 1 hora para conseguir ingressos para os shows do Nando Reis e do Engenheiros do Hawaii. Me deixa estupefato a constatação de que o povo não distingue um bom show de rock de um show de música pesada. Sim, por incrível que possa parecer essa é a descrição mais elogiosa que posso fazer e que farei ao show do Nando Reis. É bem frustrante vc ir para um show cujo repertório é bem legal, cujas músicas vc gosta, mas vê-las destruídas pela interpretação de seu próprio criador. Cada música resumia-se a um esmurrar de violão por parte do Nando Reis, uma gritação de guitarras distorcidas e monocórdicas ensurdecera, uma bateria que estava perdida no meio de toda aquela barulheira e o excesso de (desculpem-me a repetição) gritos quase histéricos do Nando Reis. Não sei se o problema foi da produção ou se a tal banda Infernais é ruim mesmo, mas o fato é que já estive em shows de Heavy Metal; Iron, Halloween, etc. até de Trash Metal, como Sepultura e posso garantir que o som desses shows é muito menos incomodamente pesado do que o que ouví ontem. A única coisa pior que testemunhei nesses últimos tempos foi o show da banda Trash Arkham. Nando Reis perdeu muitos pontos no meu conceito. Se estivesse escrevendo para o "O Globo" o bonequinho provavelmente já estaria dentro do carro depois da 3ª música, mas continuei lá e assistí o show do Engenheiros que, não obstante a implicância de muitos com o Humberto Gessinger, fez um bom show. Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 10:18 PM Ficha Técnica:
Terça-feira, Novembro 16, 2004
Nada Surf - 15/11/2004, Teatro Oddiséia, Lapa, Rio de Janeiro Parece que eu dormí e não consigo mais acordar... essa é a impressão que tenho depois da noite de ontem... cara, que show! É difícil até comentar. Quando vamos a um lugar e o que encontramos lá supera em muito nossas expectativas nosso cérebro não está muito capacitado a assimilar todas as informações. Já havia feito uma crítica ao CD Live in Brussels do Nada Surf a um tempo atrás. Na minha crítica falei de um CD burocrático, sem vibração, falei de aparentarem ser uma banda comum no palco... ledo engano. Seu som ganha um peso e uma intensidade inimaginável. Um baterista com boné "Fuck Bush", um baixista louco e carismático e um guitarrista / vocal, que mantém o público em suas mãos, fizeram o som ecoar por minha cabeça durante toda a madrugada, mesmo horas após o show terminar. O lugar pequeno ajudou, o Teatro Odisséia foi um palco perfeito, mas o dia, uma segunda a noite, fez com que apenas umas 100 pessoas fossem assistir a tal espetáculo,mas a banda não desanimou, e, mais de uma vez, ao contrário de umas e outras, escutou aquilo que pedíamos da platéia, foi assim com Robot, Amateur, Stale Mate, Hi-speed Soul (Hey, i like that, Let's play...) e Bad Best Friend. Deram-se ao luxo de tocar uma música que estará no próximo CD, um curioso misto de pancada com balada que consegue fugir de clichês comuns a este tipo de som. O show, de quase 1 hora e 40 minutos teve direito a 2 Bis, sendo o último com uma hilariante versão de Popular traduzida para português, cantada pelo vocal de uma banda da cena underground. Fomos brindados com um show inesquecível, quem viu viu, quem não viu torça para a apresentação sair em DVD, ou seja, passe a viver na terra da fantasia e não ponha mais os pés no mundo real... ou então parta para Curitiba, Londrina ou Taubaté, onde serão as próximas apresentações da banda, respectivamente dias 18, 19 e 20. Se eu tivesse tempo partiria, pois meu maior lamento este ano foi não poder ter ido no Domingo também. Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 10:19 AM Ficha Técnica:
Terça-feira, Novembro 09, 2004
FESTIVAL LOUD! MOSTRA AS NOVIDADES DA CENA BRASILEIRA E TRAZ ATRAÇÕES INTERNACIONAIS DOS EUA E ARGENTINA BANDAS 12/11 > SEXTA ERIKA MARTINS WONKAVISION (RS) CARNE DE SEGUNDA DJ TULIO BANDAS 13/11 > SÁBADO COMADRE FULOZINHA (PE) LACERTAE (SE) DJ TULIO DJ CALBUQUE BANDAS 14/11 > DOMINGO NADA SURF (EUA) WALVERDES (RS) TORMENTOS (ARGENTINA) DJs ZÉ & GORDINHO BANDAS 15/11 > SEGUNDA NADA SURF (EUA) SUÍTE MINIMAL (PR) DUBON & MARCELINHO DA LUA A MALDITA* (Festa de encerramento na Casa da Matriz) PASSAPORTES LIMITADOS PARA OS 4 DIAS! APENAS R$ 50 (COM CAMISETA DO FESTIVAL)! INGRESSOS > SEXTA, SÁBADO E DOMINGO > 21H R$ 25 (ingresso regular) R$ 20 (até 23h) R$ 15 (antecipados limitados) INGRESSOS > SEGUNDA > 19H R$ 25 (ingresso regular) R$ 20 (até 20h) R$ 15 (antecipados limitados) PASSAPORTE + CAMISA DO FESTIVAL Passaportes limitados para os 4 dias: R$ 50 (com direito a camiseta do festival) Abertura da casa: 21h (sexta, sábado e domingo) e 19h (segunda-feira) INGRESSOS ANTECIPADOS LIMITADOS À VENDA NAS LOJAS Cavídeo Cobal do Humaitá - 2266-2239 Casa da Matriz Rua Henrique de Novaes 107 - Botafogo Tel 2266-1014 Favela Hype Almirante Alexandrino 1458 Tel 3852-8504 Metrópolis R. Dias da Cruz 203/ lj11 595-1242 Av Nelson Cardoso 905/ 106 Tel. 2435-2687 Point HQ R. Visconde de Pirajá, 207/ lj 316 Tel: 2521-9803 Rockway Tijuca Off-Shopping Galeria Verde loja 103 Tel. 2234-0750 U2 - Shopping Rio Sul ¿ 1 piso. Tel. 2543-4915 Plano B Rua Francisco Muratori 2-A Lapa Tel. 3852-1431 Proibido para menores de 18 anos Mantenha sua cidade limpa! FESTIVAL LOUD! > DE 12 A 15 DE NOVEMBRO DE 2004 > TEATRO ODISSÉIA - LAPA - RIO DE JANEIRO Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 12:54 PM Ficha Técnica:
Terça-feira, Outubro 26, 2004
Magic and Loss
The Concretes - The Concretes (2004) Eu simplesmente não esperava ouvir música desse tipo esse ano, é a primeira coisa que devo dizer sobre o octeto sueco The Concretes. Formado por três meninas e cinco meninos, a banda cometeu o melhor disco do ano até agora. E quando digo música inesperada, não significa necessariamente original, afinal o tipo de som é muito bem rastreável: pegue altas doses de Girl Groups de Phil Spector e Motown, guitarras melancólicas oriundas do Velvet Underground, vocais femininos preguiçosos e sexies de Hope Sandoval, e você já tem uma idéia do que a banda é capaz. Mas talvez a grande sacada da banda seja o uso de instrumentação de sopro durante todas as canções, com flautas, trumpetes e até tubas eventualmente emergindo do som esparso como ondas de pura melancolia ingênua, uma sensualidade que parece involuntária, mas claro, não é. A sensibilidade pop desses suecos é de alguma forma distorcida, pois apesar de todas as canções se basearem em acordes ganchudos, parece que os ouvimos fora de sintonia, ou do fundo do mar, tamanha a sensação de estranhamento pelos espaços vazios e distorções atípicas nas músicas. Por exemplo, You Cant Hurry Love (não confundir com o original das Supremes) é uma canção de verão, de ritmo alegre e guitarras distorcidas bem Jesus and Mary Chain, mas o andamento imprevisível e os ataques dos metais a torna algo menos palatável, mas muito mais satisfatório em sua curta duração. A fixação pelos grupos Motown se explicita na canção chamada Diana Ross, com bateria marcial e andamento sinuoso, comentando sobre a ressaca de amor que certas músicas de soul nos causam, mas claro, novamente, afundadas em guitarras que nunca apareceriam nas músicas da homenageada. Talvez a melhor música seja Chico, uma balada sobre um gato falante (??) que lê o futuro, algo que no papel parece ridículo, mas que sob a camada sonora minimalista e o vocal quase infantil de Victoria Bergsman se torna algo mágico, alienígena, e muito, muito bonito. No fim das contas, o que os Concretes trazem de novo ao rock desses anos estranhos é essa sensação de mágica que parece perdida ao meio de garage bands e renascimento oitentista, uma opção pelo subentendido, pelo que está escondido em nossas cabeças e corações, e que não precisa de cinismo para se proteger de qualquer decepção. Cotação: 5 estrelas Músicas: Try Something New/ You Can't Hurry love/ Chico/ New Friend/ Diana Ross/ Warm Night/ Foreigh Country/ Seems Fine/ Lovin Kind/ Lonely as Can Be/ This One's For You Músicas- Chave: You Can't Hurry Love/ Chico Escrito por ADOLFO COLEN às 12:01 AM Ficha Técnica:
Sábado, Outubro 23, 2004
The Offspring - Claro Hall 22/10/2004 Não conheço do Offspring mais que seus hits e várias músicas do CD Americana, que tenho e acho muito bom, mas resolví pagar 60 reais de entrada para ir neste show cuja banda, outrora, já tinha me impressionado em uma apresentação empolgante na turnê do supra-citado CD. Todas as músicas conhecidas foram tocadas. De cara eles queimaram All I Want, Gona Away, pouco depois Come out and play, para em seguida mandarem Why don't you get a job, Feelings, The Kids aren't allright que levantou o público que terminou por ovacionar os músicos... Pretty Fly terminou o set, que ainda contou com as músicas mais recentes que sequer sei o nome e outras bastante conhecidas mas que tb não me recordo o nome. Voltaram para o bis. Entoaram com pulsos cerrados os gritos de Hey Ho Let Go, para prosseguir com Have you ever e encerrar com Self Esteem. Foi um senhor show, com empolgação do início ao fim, mas como avaliação final digo que não valeu a pena, foram 60 reais e exatos 60 minutos de show. Como consumidor me sentí lesado... Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 9:54 AM Ficha Técnica:
Sábado, Setembro 25, 2004
REM - Around the Sun O tempo não tem sido meu amigo, muitos compromissos e pouco tempo para escrever ou mesmo estar por dentro de lançamentos. Falaria sobre o novo do Cardigans, um excelente album, ou mesmo o do Snow Patrol, que tem belas melodias, embora seja uma banda meio limitada, mas esta semana o REM colocou a disposição no portal My Space, na íntegra e gratuitamente o seu novo CD, Around the Sun. Desde Automatic for The People o REM deve um CD realmente bom para seus fãs. Se o Around the Sun não é este CD (e eu acho que é!), ao menos é o mais próximo dele que já foi feito. Nesse período de 12 anos alguns lampejos como What's the Frequency Keneth ou Bad Day surgiram, mas na média eram uma banda repetitiva e sem gana. O novo CD resgata um pouco da textura melódica de Automatic, tendo tudo para ocupar o coração de fãs da banda. Como estou positivamente impressionado pelo CD os pouparei de um comentário faixa por faixa, pois correria o risco de tecer elogios da música 1 até a 13, mas recomendo atenção com The Outsiders, I wanted to be wrong, Hi speed train, The Ascents of Man e Around the Sun... Recomendo a visita no site... Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 12:24 PM Ficha Técnica:
Quarta-feira, Agosto 18, 2004
Essencial
Ramones - End Of The Century (1980) Em 1980, os Ramones já tinham quatro discos lançados em menos de 3 anos. Somente por Ramones, Leave Home, Rocket to Russia e Road to Ruin eles já teriam o nome escrito na história do rock. O disco homônimo é o primeiro lançado por uma banda punk, o mais cru de todos, mas já continha a semente do que a banda sempre soube, e quis ter: sensibilidade pop, refrãos ganchudos e as letras de amor. Os dois albuns seguintes aumentaram essa tendência bubblegum, até que em Road to Ruin eles voltaram a um som mais pesado, menos redondo (e com certeza menos bem-sucedido). É então que Joey Ramone, que sempre foi a alma pop do grupo, resolve realizar um sonho de adolescência: gravar um disco produzido por Phil Spector. O criador do Wall of Sound e mentor das Ronettes, Shirelles e tantos outros Girl Groups do início dos anos 60 não produzia mais tantas bandas, e sendo um fã desse pop dourado e reverberante, Joey resolveu que seria uma boa idéia. Spector era um gênio, claro. Mas também era insano. Famoso por ameaçar John Lennon com uma arma e perseguir Leonard Cohen com uma besta armada na mão, não se comportou de forma diferente com a banda. Perfeccionista, segundo o baixista Dee Dee Ramone ele os fez tocar por 8 horas o acorde inicial de Rock"n'Roll Radio, além de repetir a façanha de os fazer gravar sob a mira de um revolver. Após tanta confusão, pode-se ouvir o resultado, chamado sintomaticamente de End of the Century. De início escutamos um DJ apresentando a banda, e o que viria a ser uma das músicas mais amadas pelos fãs: Do You Remember Rock'n'roll Radio? é um clássico, do primeiro acorde (aquele de oito horas), até o fim. Logo se observa a mão do produtor: uso de saxofones e teclados criando uma base sólida para as guitarras brilhares, em um ritmo contagiante. Um clássico. O interessante é notar que as músicas são típicas dos Ramones, um rock básico, às vezes pesado, às vezes baladeiro, mas sempre contagiante. A produção é que torna os sons de guitarras mais sólidos quando é necessário peso, ou mais esparsos quando o que se quer é delicadeza. Danny Says é um rock lento e lindo, que relembra os Beach Boys, mas possui sempre o toque da banda, nesse caso "o violão gravado mais alto de todos os tempos", segundo Johnny Ramone. Let's Go é pesada, mas tão pesada que se sente a guitarra martelando os timpanos. A verdade é que Spector não modificou a banda, somente realçou o que já existia lá. Em uma música como The Return of Jack and Judy nota-se isso melhor, já que é muito parecida com Judy is a Punk, mas com a produção se torna algo diferente, mais ganchudo, mas menos urgente. Talvez a faixa mais aberrante do disco seja Baby I Love You, pois foi a primeira vez que a banda usou de sons orquestrados, em uma balada dilacerada que não faria feio em um disco dos Beach Boys. End of the Century é um disco aberrante na carreira da banda, que sempre se caracterizou por usar sempre da mesma fórmula (maravilhosa, mas ainda assim uma fórmula) para compor suas canções. Talvez por isso seja um album que polariza a opinião dos fãs, se tornando um exemplo típico de ame ou odeie. Mas, para mim, é um momento-chave e genial na história da maior banda de punk rock de todos os tempos. Cotação : 5 estrelas Músicas: Do You Remember Rock'n'Roll Radio?/ I'm Affected/Danny Says/Chinese Rock/The Return of Jack and Judy/ Let's Go/ Baby I Love You/ I Can't Make It On Time/ This Ain't Havana/ Rock'n'Roll High School/ All The Way/ High Risk Insurance Músicas- Chave: Do You Remember.../ Danny Says/ The Return.../ Let's Go * Sexta-Feira (20/08) será lançado nos EUA um documentário sobre a banda, chamado, claro, de End of the Century. Escrito por ADOLFO COLEN às 6:21 PM Ficha Técnica:
Quarta-feira, Julho 28, 2004
Antológico
Ian McCulloch - Palácio das Artes (27/07/2004) É um show de primeiras vezes. Primeira vez que Ian McCuloch se apresenta em BH, primeira turnê acústica, primeira colaboração com artistas brasileiros. Que o cantor adora o país não é novidade, já que desde 1987, quando veio ao Brasil com o Echo and the Bunnymen pela primeira vez, ele parece ter se ligado quase de forma simbiótica ao clima das platéias e à nossa caipirinha. O Palácio das Artes recebe uma platéia numerosa, formada principalmente por fãs das antigas, se levarmos em conta a infinidade de pessoas com mais de trinta anos presentes. Talvez por isso o clima de cumplicidade seja evidente desde o início do show, até em músicas menos conhecidas de seu mais novo disco-solo, da qual retira das primeiras músicas do show. Logo depois delas, começa a esquentar o público, com Start Again, canção de seu primeiro solo (Candleland, de 1989). Logo depois dela, fala com o público: "Estou me sentindo muito bem hoje. Vai ser uma noite especial". Emenda logo depois Pictures on My Wall, seu primeiro single com os Bunnymen, do final dos anos 70. A banda, nessa fase inicial, se resume a violão, uma guitarra e teclados, tocados por músicos dos Bunnymen atuais (Paul Fleming e Goudie Gordon). A acústica do Palácio é excelente, assim como a qualidade das canções. A primeira cover da noite é Suzanne, do Leonard Cohen, intimista, muito bonita. Pale Blue Eyes segue, sendo a primeira cover do Velvet Underground da noite (contando com Walk on The Wild Side de Lou Reed solo, serão 4 canções). A platéia pede canções da época dos Bunnymen, e Ian é muito simpático com todos, perguntando o que mais querem ouvir. Alguém grita The Game, e ele a leva somente no violão, sendo ajudado pelo público quando esquece uma parte da letra. Ainda canta partes de Flickering Wall e The Promisse, e ninguém sabe quem está se divertindo mais, se nós ou ele. Quando retorna com a banda, com os músicos brasileiros Da Lua (percussão) e Silvio Mazzuca (baixo). Diz que vai tocar Heroes do David Bowie, e alguém pede a música Changes. Ele imediatamente se anima, pede para o tecladista tocá-la, e a canta inteirinha, seguindo então com Heroes. Lê a carta que uma fã joga no palco, conversa com outra no intervalo de uma canção. Samuel Rosa participa de Lips Like Sugar, incendiando o palco com o riff de guitarra. Provavelmente essa música é o ponto alto do show, altamente carregada de eletricidade, e sensualidade. Mas também é nessa música que se sente mais falta de uma bateria, pois a percussão de Da Lua não consegue carregar o ritmo da canção. De qualquer maneira termina de forma excelente, com Ian chamando todos para tomar umas cervas na casa de Samuel, e observando que ele parece mais britânico que muitos ingleses... Quando o show termina, com a inevitável (e linda) Killing Moon, fica uma certeza: BH viu poucos shows como esses, cheios de qualidade e simpatia. Tantos momentos bonitos, tantas músicas clássicas. Talvez eu guarde melhor um momento de Rust, durante o qual no refrão cai silencioso atrás de Ian McCulloch um pedaço solitário de purpurina. Após a música ele fala: prometo que trarei a banda para Belo Horizonte na próxima turnê. Assim esperamos, assim esperamos. Cotação:5 estrelas. Escrito por ADOLFO COLEN às 5:51 PM Ficha Técnica:
Quinta-feira, Julho 22, 2004
A Volta dos Que Não Foram É uma época de retornos no rock dito alternativo mundial, em que medalhões dos anos 80 voltam a dar as caras no circuito musical. Talvez influenciados pela nova safra de bandas por sua vez influeciadas por eles. São as voltas que o mundo pop dá, a tendência usual de morder o próprio rabo. Eu acho relevante. Um moleque que gosta de Strokes descobrirá o Velvet Underground, um que gosta de Interpol o Joy Division, e por aí vai. Hoje em dia, com as informações cada vez mais rápidas, seria fácil se pensar que haveria uma maior informação e acesso às músicas dessas bandas. Mas não há. Os motivos são muitos, e muitas vezes se misturam: falta de interesse de rádios, TV e fãs são os com maior índice de culpabilidade. Afinal de contas, o novato vai procurar na net o que ouviu no rádio, o que achou legal na TV, e não o que um blogueiro obscuro reclama em algum canto do mundo. As coisas funcionam assim, então se torna válido que se lancem novos trabalhos, que terão melhor chance de visibilidade, afinal o mundo da mídia sempre funcionou e funcionará na base do mais recente e brilhante. Então, com meu papel de blogueiro obscuro, vou falar dos três singles iniciais desses artistas que retornam de muitos anos escondidos, com alguma exposição da MTV.
Morrissey - Irish Blood, English Heart/ The World is Full of Crashing Bores A segunda música é a de trabalho nos EUA, com letras divertidas e patéticas acompanhadas em um som típico de Morrissey solo, portanto é passável. Já a primeira, essa sim, é a que traz o vídeo, a que foi lançada na Inglaterra, e é a que impressiona. Desde o início, com uma base de guitarra repetitiva feita com o único objetivo de criar tensão, já sabemos que vem algo mais pesado por aí. E ele chega rapidamente na forma de um refrão pegajoso, sujo, com guitarras altas e um dos melhores vocais que já ouvi do cara. Esqueça a letra se não é inglês, o que vale é o tesão, e isso tem de sobra. Belo retorno, 4 estrelas.
Velvet Revolver - Slither Slash, Duff Mckagan, Matt Sorum largaram a maior banda de rock do final dos anos 80 e início dos 90 (em vendagens), e cada um seguiu para o seu lado. Enquanto Axl Rose briga com seu Chinese Democracy, uma da qual não sei se saberei o resultado ainda nesta década, eles se juntaram ao ex-guitarrista do Suicidal Tendencies e ao eterno junkie Scott Weiland,e resolveram fazer o que sabem melhor: hard rock, puro e simples. Sem firulas. Sem existencialismo vazio e pouco inspirado como o Nickelback. Somente rock como forma de diversão, solos de guitarras e sexo perigoso. Ponto para eles, 3 estrelas.
The Cure - The End of The World O Cure nunca acabou, mas experimenta um ostracismo cada vez mais profundo, pois desde Friday I'm in Love (92) não raspam em alguma forma de inconsciente popular. Talvez com o sucesso underground de bandas como o Rapture e o Franz Ferdinand (nitidamente inspirados na banda), talvez seja essa a hora de uma ressurreição. End of The World é uma música densa, com leve tempero pop, mais calcada nas guitarras e baixo que nos teclados, que pareciam em algum momento querer afundar a banda. Possui aquela melancolia adorável tão única do grupo, e pode sim ser a chance de sucesso com a nova geração, portanto ganha 4 estrelas. Escrito por ADOLFO COLEN às 1:55 PM Ficha Técnica:
Domingo, Julho 11, 2004
Do enlatado ao molho fresco... Evanescence e Nightwish Não há outra explicação. Nada pode explicar o repentino sucesso do Nightwish na mídia senão o furacão Amy Lee e sua banda Evanescence. Os últimos CDs do Nightwish vinham marcando uma constante perda de prestigio da vocalista, que, outrora, era a "alma" da banda. Ela, em muitas oportunidades deixou o posto de vocalista, a banda, acho eu, acreditava que essa fórmula estava ultrapassada, ou seja, um heavy metal melódico com um vocal forte e marcante feminino. Talvez achassem fosse brega, ou apenas ultrapassado. Surgiram atritos em decorrencia disso. O ego da cantora não admitia que ficasse em segundo plano, mas isso era compreensivo. Todos os fãs do Nightwish gostavam da banda por causa dela, mas o que o restante da banda buscava era ampliar seu rol de aficcionados e uma mulher com vocais clássicos parecia ser o oposto do que o mercado buscava... por pouco a banda não acabou, por pouco Tarja não abandonou o barco. Mas a sorte virou, sem que nem porque uma banda "similar" estourou mundialmente. O Evanescence tornou uma fórmula indigesta em um suave vinho de sobremesa e o que antes era inconcebível para o grande público virou (sic) moda. A banda finlandesa que a algum tempo se utilizava da mistura de heavy metal lírico e vocal clássico pôde finalmente lançar um CD que tivesse apelo fora da fechada panelinha do Heavy Metal, mas, o preço que tem que pagar por isso é ser taxado por muitos como cópia de Amy Lee e companhia. Eles queriam o sucesso, e esse foi o preço. Só o tempo dirá a quão caro foi... Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 3:39 PM Ficha Técnica:
Segunda-feira, Junho 07, 2004
Escute, antes que o mundo acabe... No meio da década de 80 não se pensava ainda nessa onda de Rap e Hip Hop, mas o REM ousou ao escrever e cantar uma música que, em alguns aspectos lembra muito esses rítmos. Trata-se de "It´s the end of the world". O Rap é composto por um jogo de palavras, em busca de rima, consistência argumentativa, protestos... em um tempo onde as músicas se utilizavam de uma estrutura coerente Michael Stipe compôs um aglomerado de palavras tão ilógicas que nunca mais alguém conseguiu expressar o caos do mundo com tamanha precisão. Se não bastasse isso ele compôs um rock clássico, referência obrigatória para quem quer estar por dentro do que de melhor rolou na década de 80. Aliás, presente no álbum Document, um dos dois albuns clássicos da banda (o outro é Automatic for The People, de 1992 e que traz a depressiva Everybody Hurts), tornou-se um verdadeiro hino, que nos dias de hoje é responsável pelo encerramento dos shows da banda, que sempre levam seus fãs aos limites extremos entre a sanidade e o delírio. A música foi um petardo para o mundo todo e, na Itália, surgiu uma versão que, se está longe do brilho da original tem seu valor a título de curiosidade, trata-se de "A che ora e' la fine del mondo", do Ligabue, que acaba sendo uma mistura de "Uma partida de Futebol" do Skank e It's the end... O caos do mundo é substituído pelo caos existente dentro das quatro linhas, durante os 90 minutos de uma partida. Alguns já devem tê-la ouvido, eis que foi música de fundo em uma reportagem sobre as atuações de Kaka no futebol italiano no canal ESPN Brasil. Do clássico original restou a melodia, o suficiente para manter o valor documental desta versão, que, no entanto, fica um pouco aquém... It's the end of the world as we know (and I feel fine) foi a música oitentista mais noventista já gravada, foi uma verdadeira previsão de fazer inveja a Nostradamus, em todos os sentidos, seja linguístico, musical ou social mesmo, sua influência aparece desde em raps até comercial do Master Card, é um som imprescindível... Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 8:28 PM Ficha Técnica:
Terça-feira, Junho 01, 2004
DVD
Brian Wilson - Pet Sounds Live in London (2003) Qualquer amante de música que preze sua coleção conhece Pet Sounds, conhece a história do album, e tem sua própria opinião sobre a obra mais importante de Brian Wilson, a alma complicada dos Beach Boys. O que o iniciante precisa saber é que esse disco marcou uma idéia nova de se fazer (e gravar) canções pop, não tem nada a ver com as canções anteriores sobre surf e carros da banda, e é lindo de morrer. A disputa entre os Beatles e Wilson para quem gravaria o disco mais sofisticado do rock é lendária, que os críticos mais entusiasmados até já encaixaram em um cronograma, que vai mais ou menos assim: Beatles lançam Rubber Soul. Brian Wilson fica admirado, assustado e com inveja. Faz Pet Sounds. Paul McCartney fica admirado, assustado e com inveja. Compõe Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band. Brian Wilson fica encantado, assustado, tenta gravar Smile e perde a sanidade. Corta para 2002, e Wilson, com efeitos colaterais claros de remédios contra esquizofrenia, resolve percorrer a Europa com os Wondermints, uma maravilhosa banda com fixação por Beach Boys. E acima de tudo, decide nos shows tocar Pet Sounds completo, na ordem certa das músicas, fielmente aos arranjos originais. Aí o mais desavisado pode pensar, que para uma banda de rock, estilo basicamente composto para baixo, guitarra e bateria, isso deve ser fácil demais. Mas aí é que a coisa complica. Pet Sounds foi o fundador de um estilo de música conhecido atualmente como "pop de câmara", onde orquestrações eram usadas de forma luxuriante para aumentar o impacto das canções, assim como instrumentos pouco comuns ao estilo pop-rock de ser, como flautas, vibrafones, gaitas dos tipos mais diferentes, percussões alternativas e até mesmo um teremin. Wilson iniciou realmente a empreitada em 2000, nos EUA, onde fez uma série de shows com a banda mais orquestra, sempre para platéias lotadas e saudosas. Mas o show desse DVD traz somente a banda, o que torna tudo ainda mais impressionante. Ao se ouvir os primeiros acordes de Wouldn´t It Be Nice, é quase impossível para quem ama o disco não sentir um frio na espinha, de tão perfeito é o som, as nuances parecidíssimas com as de Pet Sounds. Mais assombroso ainda é o nível quase perfeito das harmonias vocais, o ponto alto dos Beach Boys, nas quais os Wondermints não deixam nada a dever. É interessante notar que o único elo fraco é o próprio Wilson, cuja voz compreensivelmente não alcança mais os registros que antes não tinha esforço em vocalizar. Mas é ele o dono do show, o compositor das músicas, a lenda no palco, e a alma da apresentação. Sempre conta uma historinha curta antes das músicas, brinca com a platéia, explica o significado das canções. E que canções... A delicadeza e complexidade dos arranjos, e a competência dos músicos em os interpretar nunca é abaixo de notável. Também é ótimo perceber que eles adoram as músicas, tocando-as com alegria e emoção. Cada um deve ter sua preferidas, e não cabe a mim destacar alguma em especial, então somente cito minhas preferidas: God Only Knows, Don´t Talk (Put Your Head On My Shoulder), Caroline No e Sloop John B. Eu somente tenho duas ressalvas. A primeira é a duração do show, que é muito maior na realidade, mas que só mostra as músicas de Pet Sounds e a ótima Good Vibrations como bônus. Wilson em todos os seus shows tocava músicas do início de carreira, seguidas por Pet Sounds e depois algumas músicas-solo e uns hits perenes. Recortaram os shows, e isso é um crime. A segunda é a edição atrapalhada das imagens, que se resumem a close-ups individuais dos membros da banda, e nenhuma imagem panorâmica do palco. O ritmo fica nervoso, prejudicando a leveza e fluxo das canções. Eu entendo que talvez seja pelo pequeno espaço do teatro, onde as carecas dos expectadores saudosos estavam quase ao nível dos braços do guitarrista e baixista. Talvez elas causassem muito brilho para "iluminação natural"... Mas de qualquer maneira, é um show clássico que vale a pena conhecer, mesmo que não conheça o disco original. Provavelmente Brian Wilson não estará muito tempo por aí, e quem quer ter um gostinho da história do rock precisa se apressar. Cotação: 4 estrelas Extras: ótimo documentário de 40 minutos sobre a composição do disco original. Escrito por ADOLFO COLEN às 2:11 AM Ficha Técnica: |
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