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Domingo, Dezembro 11, 2005
Pearl Jam - 4-12-2005 - Praça da Apoteose, Rio de Janeiro E os primeiros acórdes de Yellow Ledbetter, mais que emoção e realização de um sonho trouxeram um sentimento estranho de perda. Invariavelmente o Pearl Jam encerra seus shows com seu clássico B-Side. 15 anos de espera passaram em 2 horas e 18 minutos de show. Um Eddie Vedder simpático e comunicativo esbanjava voz após mais de 10 horas de show em pouco mais de 5 dias, sendo 3 apresentações em noites seguidas e o restante da banda mostrou aos desavisados que nunca foram coadjuvantes de uma estrela solitária. Não sabia como iniciar essa análise então comecei do fim, da ressaca que inevitavelmente acompanharia uma noite da mais intensa diversão, ressaca que faria com que muitos se arrependessem do que fizeram na véspera, mas 40 mil pessoal jamais se arrependeriam daqueles mais de 2 horas onde puderam escutar hits como Do The Evolution, Even Flow, Jeremy, Las Kiss, Better Man, Black e Yellow Ledbetter. Tudo começou com os primeiros acórdes de Last Exit. A multidão veio abaixo e não era pra menos, pois era o fim de 15 anos da mais angustiante espera. Daí pra frente cada um tinha suas pedidas, uns queriam Jeremy, outros Alive, outros Better Man, outros state of love and trust e por aí foi, mas com tantas músicas nem todos saíram 100% satisfeitos nesse ponto, era impossível para uma apresentação de menos de 4 horas. Passada a euforia da 1ª música Eddie e a banda não deixaram o rítmo cair ao emendar Do the Evolution, música que ao vivo cresce de forma absurda e que mostra toda a potencia da voz de Vedder. Save You e Animal não deixaram o público tirar o pé do acelerador 1 minuto e só na 5ª música houve uma pequena quebra de rítmo com Insignificance, a primeira surpresa da noite que seguiu com Corduroy e Dissident, que embora sensacional foi presságio de uma péssima notícia: Rearview Mirror havia sido deixada de lado. E a partir de então os hits começaram a aparecer, Even Flow foi o primeiro e trouxe (pra variar) um virtuoso só de Mike McCready. Leatherman foi mais uma surpresa, mas que por não ser das mais conhecidas serviu de descanso pro início arrebatador. Descanço pois em seguida vieram Given to Fly e Daughter, uma das preferidas do público. Nova comoção popular veio alguns minutos depois com mais um clássico retirado do segundo álbum da banda. Elderly Woman Behind the Corner in a Small Town, uma bela balada emocionou a platéia que das arquibancadas acendiam seus celulares numa adaptação aos novos tempos de antitabagismo e globalização. Down, Once e Go encerraram a 1ª parte do show. Na volta, municiado apenas de seu Ukulele, Vedder ressucitou a bela Soon Forget, uma música com uma ironia quase juvenil em rítmo de história contada. Qdo ele errou os primeiros acórdes o público delirou e, divertindo-se com seu erro o cantor pediu desculpas e voltou do início. Foi só o início de um dos momentos mais emocionantes do show, Better Man foi entoada por um coro de milhares de vozes e o show de luzes voltou as arquibancadas. A banda deixou com o público a tarefa de cantar e ficou apenas contemplando o espetáculo para inserir no meio da música I wanna be your boyfriend. Foi o início da fase Ramones do show que contou ainda com gritos puxados por Vedder de Hey Ho, Rio (estes quase que desde o início da noite) e I Believe in miracles (crença que todos já tinham assimilado após 1:30 de show). O primeiro bis terminou algumas músicas depois com Alive que, embora batida, ainda é uma das preferidas do público, o que pôde facilmente ser percebido. Falta alguma coisa? Pois é, os gauchos que me desculpem, mas sem Black não dá! O segundo bis foi recheado de Hits e teve inicio com Last Kiss, a mais conhecida e cantada (sic) pelo público e continuou com... sim, com Black. Estava realizado! Eu e outras milhares de pessoas. Faltou ar... era a emoção, a música a multidão, a grade... um conjunto de fatores... nada no entanto que pudesse retirar a grandeza daquele momento. 12 minutos de extase, 12 minutos para nãe se esquecer, para comprova que a vida valeu a pena, ao menos até aquele momento. Depois de toda essa emoção Jeremy, outra música na qual poderia falar o mesmo que falei de Alive veio, mas dessa vez não havia mais o risco de faltar a principal e a fala do garoto suicida ecoou na apoteose. Depressão, tristeza, alegria... uma mistura de sentimentos surgiu com as primeiras notas de Yellow Ledbetter. Era a última música... era o início de outra angustiante espera pela próxima vez. Embora clássica a música carrega consigo este estígma e quando do seu começo muitos começam a chorar. Trata-se da minha música preferida e, não a toa, é o toque do meu celular, não seria eu a ficar triste ao menos por fora, já que o que sentimos realmente podemos esconder, e com o fim da música a melhor surpresa da noite. Enquanto cumprimentava o público Ed fez sinal de mais uma e perguntou ao público "one more?" Claro!!! e veio o final apoteótico. Baba O´Riley pôs fim a noite tirando o peso que recaía sobre os ombros de YLB e mostrou a todos que o Rio de fato é especial, merecendo um desfecho único, uma espécie de 3° bis não programado. A banda se foi com a certeza de missão cumprida e minha análise termina aqui e, ao contrário dos jornalistas profissionais de O Globo, Folha, Estado de São Paulo e outros não usei uma vez a palavra catarze... Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 10:12 PM Ficha Técnica: |
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