:: música a oito mãos ::

Adolfo Colen
Gustavo Macieira
Pedro Esteban
Tungo, o Dungo

:: o que passou ::
arquivos

:: estatísticas ::


usuários on-line

Eu estou no Blog List

!

Sexta-feira, Agosto 29, 2003


Atrações do Tim Festival



Eu estaria em estado de graça, mas só consigo lamentar. O Festival ocorre entre o dia 30/10 e 1/11 (MAM), mas o show do Metallica está marcado para o dia 30/10 (ATL Hall). Paira a dúvida, irei no Metallica ou no Tim Festival? O problema maior surgirá se confirmarem o Wilco para a mesma data.

Por enquanto não existe uma agenda oficial. As atrações estão enumeradas abaixo. Programem-se...

eletrônico
- Peaches
- DJ Erol Alkan
- 2 Many DJ's
- Lambchop
- Front 242
- Gotan Project
- Apavoramento Sound System
- Gilles Peterson (DJ da Radio One)
- Gerador Zero

Rock
- White Stripes
- Wilco
- Rapture
- Beth Gibbons
- Super Furry Animals
- Los Hermanos
- Wado

Rap
- The Streets
- Public Enemy
- Quinto Andar

Jazz
- Meirelles e Copa 5
- Luiz Avelar
- Chic Correa
- Tributo a Ary Barroso
- KD Lang Jazz Trio
- Shirley Horn
- Cedar Walton Trio
- Maccoy Tyner Big Band
- Illinois Jacquet Big Band
- Terence Blanchard
- Walt Weskopft Nonet
posted by GUSTAVO MACIEIRA 4:47 PM

Ficha Técnica:


Quinta-feira, Agosto 28, 2003


Quase Famoso


Ben Harper já chegou em seu quinto disco (sem contar o maravilhoso disco ao vivo Live on Mars), entitulado Diamonds On The Inside, e cada vez me surpreende mais o fato de ainda não ser conhecido popularmente.

Quem vê suas fotos, de um homem negro bem apessoado, violão na mão e pose de rock star, logo pensa: Lenny Kravitz, quem precisa de mais um? Nada mais errado, e nada mais desdenhoso do que isso.

Ben Harper deixa Lenny Kravitz no chinelo.

Ouvindo seus discos podemos nos enganar ao achar que estamos diante de uma coletânia, tamanha a variedade de estilos musicais diferentes em cada faixa: folk, soul, reggae, rock hendrixiano, funk, gospel, blues. Mas apesar dessas discrepâncias, todas as músicas são executadas com elegância e inspiração, pontuadas pela famosa slide guitar e voz de seu compositor.

Aliás, a voz de Harper é linda e versátil, podendo ir do registro rouco ao falsete em um segundo, do sensual ao raivoso em um acorde, de Marvin Gaye a Mick Jagger em um estalo, sempre carregando as palavras mais simples de sentimento, tornando as letras maiores do que no papel parecem ser.

Em uma música como Roses From My Friends, por exemplo, ele transforma em melancolia as rimas mais simples: The stones from my enemies/ this wounds will mend/ But I cannot survive/The roses from my friends...Sempre me emociona, sempre. Mas percebo que é o jeito desamparado com que ele as canta.

E é essa empatia que o publico brasileiro pode conferir em 2001, quando ele fez shows por aqui. Parece que ele gostou muito do país, inclusive citando o Corcovado na quase bossa nova de Blessed To Be a Witness, presente no ultimo disco.

Desconfio, entretanto, que apesar do grande apelo popular que as cançoes desse disco possuem, não será dessa vez que Ben Harper vai ser mais conhecido do grande público. Talvez se ele tiver música na novela das oito, quem sabe...

Uma pena.

Para quem quiser conhecer alguma coisa dele, indico o último disco, que ainda é fácil de se achar em lojas especializadas. Para quem tiver um dinheirinho sobrando, é melhor levar o Live on Mars, disco duplo excelente, dividido em um CD elétrico e outro acústico, com covers muito legais de Sexual Healing, Whole Lotta Love e, pasmem, The Drugs Don´t Work do The Verve.

Mas o fino mesmo está em suas canções próprias.

Confira que vale à pena.
posted by ADOLFO COLEN 9:27 PM

Ficha Técnica:


Músicas Marcantes I - Yellow Ledbetter



Noites chuvosas são perfeitas para relembrar melancolias e relembrar como algo pode representar momentos ruins sem no entanto trazer pensamentos ruins. A música é assim. Para todo acontecimento da vida temos uma música para associar, sejam eles como forem, se a música for boa soará assim para sempre, e sempre, e sempre...

Era uma manhã chuvosa como tantas outras em que o sol tentava aparecer por entre as nuvens. Era preciso olhar o chão para não pisar nas poças, mas o olhar estava longe, pois aprendeu a guiar-se com os ouvidos.

"Unsealed on a porch a letter sat.
Then you said, "I wanna leave it again."
Once I saw her on a beach of weathered sand. And on the sand I wanna leave it again. Yeah." Cantava...

Lembranças, sempre elas. A melodia suave e sofrida, "murmurada quase aos prantos" preparava seu espírito para as más notícias, trazia um conforto que poderia ajudá-lo a superar traumas, só não era capaz de trazê-lo de volta a vida... e a manhã chuvosa deu lugar ao arco-íris. A noite veio acompanhada da certeza dos versos finais...

"And I know, and I know. I don't wanna stay at all.
I don't wanna stay. Yeah

A morte de uns ocorre para que outros possam nascer. No universo a quantidade de matéria é finita, mas um acorde será eterno enquanto existir uma guitarra para arranhá-lo.

Que essa música possa tocar para sempre, e sempre, e sempre...

OBS: Pode ser encontrada como B-Side no single "Jeremy" do Pearl Jam, ou em boa parte da coleção de Bootlegs oficiais da banda, no oficiosos ou no CD do Tibetan Freedom Concert.
posted by GUSTAVO MACIEIRA 9:22 PM

Ficha Técnica:


Quarta-feira, Agosto 27, 2003


O Último Show de Itamar Assumpção



Quando acordei tava aqui / Entre São Paulo e o câncer. Essas foram os primeiros versos que Itamar cantou em seu último show. Eu estava lá, no Supremo, um barzinho que tem um porão onde acontecem shows para no máximo oitenta pessoas, na rua Oscar Freire. Na versão original desta música, registrada no excepcional Pretobrás, seu último disco, de 98, Itamar ainda se equilibrava entre São Paulo e o mangue. Mas as coisas tinham mudado.

Itamar estava muito magro, com o cabelo branco, rastafari, mas tocava seu violão e cantava como nunca. E a banda arrebentava. Todos no limite: Gigante Brasil na bateria, Chagas na guitarra, Tata Fernandes nos backings. Era coisa muito séria aquele show. E Itamar: Nem bem cheguei me feri / Foi bala na cidade grande / Compondo sobrevivi / E cantar estancou meu câncer. No disco, ainda o sangue é que era estancado.

Itamar Assumpção fez um show sobre a própria morte. Encarando-a de frente, com toda a coragem e com todo susto possíveis. A angústia, sem disfarces. Contou de quando acordou na UTI depois de ser operado. Contou a história de um fã que o interpelou dizendo: -Itamar, você não pode morrer! -Como não posso? Posso sim, respondeu. Falou da metástase. E seguiu cantando sua agonia, dividindo conosco o tempo que já lhe faltava.

Um parêntese: eu conheci Itamar. Estive na casa dele, na Penha, em 2000. Vi os retratos que pregava na parede do seu escritório, entre as capas dos seus discos. Ele falou dos projetos: O segundo e o terceiro volume do Pretobrás, um disco com Naná Vasconcelos, um disco só de parcerias com Alice Ruiz. O tempo não tinha fronteiras naquela época.

De volta ao show: cantou Ataulfo: Laranja madura, na beira da estrada / ta bichada, Zé / ou tem marimbondo no pé e Quero morrer numa batucada de bamba / Na cadência bonita do samba. E sua parceria com Leminski: Um homem com uma dor / é muito mais elegante / anda assim de lado / como se chegando atrasado / andasse mais adiante / ópios, éteres, analgésicos / não me toquem nessa dor / ela é tudo que me sobra / sofrer vai ser a minha última obra.

Depois mostrou uma música inédita, que talvez nunca venha a ser gravada. Mas eu não me esqueço. Era assim: Pra mim é fundamental / saber se para Eva Braun / Hitler dizia ´Mein Kampf!´ / Ou ´Ich liebe dich, frau´. E, generoso, traduzia: Para Eva Braun / será que Hitler dizia: ´Minha luta!´ ou ´Eu te amo, mulher´? E as oitenta pessoas que estavam ali, hipnotizadas, cantaram junto. Acho que era isso, Itamar. Maior que a morte, só mesmo o amor.


posted by TUNGO O DUNGO 2:27 AM

Ficha Técnica:


Cada Geração Com o Seu Samba-Canção


Vi com certo interesse que o Charlie Brown Jr ganhou pela segunda vez o prêmio da Escolha da Audiência do VMB, com a música Papo Reto, que possuía um videoclipe tão odioso que foi trocado sumariamente por uma apresentação ao vivo do grupo. Essa é uma daquelas famosas bandas que têm grande apelo popular, principalmente entre o público mais jovem, mas que usualmente são execrados pela crítica musical.

Eu não posso negar que eles são honestos, nem que eles são excelentes músicos. Chorão é um frontman carismático, e canta nas músicas um romantismo meio bandido, o que todo mundo sabe é irresistível para alguém com muitos hormônios descontrolados, e com uma grande exposição às comédias românticas assistidas por suas irmãs mais velhas.

Usam de guitarras muitas vezes excelentes, com riffs inspirados, baixo funkeado e bateria de rap. Hardcore, ska, hip hop, rock anos 80. Crias desse tempo em que tudo se mistura, e nem sempre essa gororoba é palatável. Mas o Charlie Brown tem seus momentos. Ponto para eles.

Mas por mais que queiram parecer machistas, cantam sobre levar a menina com eles, sobre dor de cotovelo, o que não os distancia da temática do samba-canção, claro que com muito menos lirismo e inspiração. Não consigo imaginar Lamartine Barbo ou Noel Rosa cantando gimme o anel, se vocês me entendem.

Mas no geral é sempre o mesmo impulso que atiça grande parte dos homens durante seu crescimento: brincar de garanhão, que vai roubar a mulher dos outros, que vai comer aquela riquinha e depois descartá-la, que como outsider se sente superior a tudo, e que ainda assim vai ter seu quinhão do romance que é prometido nos filmes das matinês, nas novelas da Globo.

É a dicotomia do canalha.

Amam Legião Urbana, mas não almejam aquele tipo de poesia. Adoram o bandidismo do gangsta rap, mas não são bobos pra perder a vida nas ruas. Balançam no meio termo entre a necessidade do macho e o desejo do menino.

O que estou querendo dizer é que cada geração tem o seu cafajeste adorável. Desde que o samba é samba, desde que o rock é rock é assim. E a da turma de hoje atende pelo nome de Charlie Brown. E Jr.

São tempos mornos esses...
posted by ADOLFO COLEN 1:37 AM

Ficha Técnica:


Terça-feira, Agosto 26, 2003


Em busca de caras novas para o Rock



Eu tenho que conviver com a realidade das universidades brasileiras que não nos dão incentivo para pesquisas, por isso me volto para o campo musical, onde a pesquisa, mais que gerar benefícios ao país irá influir no meu estado de ânimo. A descoberta de uma boa banda ou uma boa música que seja pode significar minutos de extase e horas de satisfação.

Até uns 2 anos atrás gostava muito de acessar as reviews do site Wall Of Sounds, mas infelizmente este saiu do ar sem muitas explicações. Foi lá que conhecí bandas preciosas, como Creeper Lagoon, Whiskeytown (ex banda de Ryan Adams), Old 97's, Sorry About Dresden entre outras.

Atualmente minhas pesquisas estão restritas ao All Music Guide, que traz em seus arquivos inúmeras bandas e CDs, além de informar todos os lançamentos das semanas seguintes. Sexta passei a noite no batente, e, depois de levantar o nome de algumas bandas que teriam CDs lançados hoje nos EUA resolví baixar algumas músicaspara saber do que se tratavam.

Eis as bandas:

The Weakerthans - Banda canadense que se aproxima bastante de Jets to Brazil, punk rock melódico, sem firulas, diferenciando-se basicamente pelo sotaque do vacalista (recomendada);

The Hidden Hand - Pareceu-me mais uma banda de Hard Rock comercial, estilo Nickelback, nada que não se possa dispensar (a avaliação foi feita com apenas uma música, posso estar enganado);

Avanged Sevenfold - Eis uma banda cuja primeira impressão me enganou completamente. Por trás de uma música com melodia rica, vocais bem trabalhados e letra um tanto piégas falando de amor escondia-se uma banda de Trash Metal (se não gosta desse tipo de música fuja, mas recomendo uma escutada em Warmness of Soul);

Forty Foot Echo - Guitarras estilo Bush. Bastante igual a qualquer banda que escutamos por aí... (se não for catapultado por alguma gravadora e posto em rádios correremos o risco de escutar suas músicas pensando ser de outra banda de rock teen);

House Of Low Culture - Estilo Space Rock, acho abominável... não comento mais nada...
posted by GUSTAVO MACIEIRA 9:30 PM

Ficha Técnica:


Segunda-feira, Agosto 25, 2003




Miles Davis - Birth of the Cool

Andava nos arredores da universidade quando encontrei essa loja de CDs e DVDs fechando. O letreiro dizia ser especializada em música negra e o cartaz na porta alardeava descontos de 40% a 60%. Entrei e menos de 10 minutos depois saía feliz pela rua possuidor de um Birth of the Cool e um Filles de Kilimanjaro, ambos de Miles Davis o que provavelmente é meu músico favorito atualmente. Os dois discos são considerados emblemáticos, mas por enquanto só pude ouvir o primeiro por enquanto.

Birth of the Cool é considerado o início "oficial" do movimento cool no jazz, levando o som para um lado mais suave, seguindo o estilo de arranjos de Gil Evans. O disco foi gravado em 1949, sendo o primeiro grande trabalho de Miles Davis como líder de uma banda, após seus anos acompanhando Charlie Parker.

Recomendo fortemente a todos, mas infelizmente meu tempo se esgota. Assim sendo:

Cotação: 5 estrelas

Músicas:
1. Move
2. Jeru
3. Moon Dreams
4. Venus De Milo
5. Budo
6. Deception
7. Godchild
8. Boplicity
9. Rocker
10. Israel
11. Rouge
12. Darn That Dream


posted by Pedro Esteban 5:22 PM

Ficha Técnica:


Resenha

Richard Hawley - Lowedges

Alguns discos são lançados no Brasil sem nenhum tipo de alarde, e ficam parados nas prateleiras, sem que ninguém saiba o que se esconde nas faixas do disquinho. O segundo disco-solo de Richard Hawley, lançado recentemente pela Sum, infelizmente parece fadado a esse injusto destino.

Hawley é ex-membro dos Longpigs, e tem uma história muito próxima ao Pulp, sendo amigo de Jarvis Cocker, inclusive fazendo shows com a banda como guitarrista convidado. Mas, ouvindo esse CD, tenho a impressão de que o lugar dele é na carreira-solo.

Ele possui uma vez ímpar, muito bonita mesmo, inclusive ganhando comparações com Roy Orbison o que, convenhamos, é algo muito lisonjeiro. As comparações com Orbison não páram somente na voz macia e profunda, mas também no estilo musical: músicas claramente calcadas no country e rock sessentista, cheias de slide guitar e violões de doze cordas.

O disco começa com a melhor música, chamada Run for Me, uma canção de amor na estrada, de guitarras acústicas e teclados suaves, pontuados pela slide guitar mais fluída, que dá a impressão nítida de que realmente ele sente aquela urgência, de que ela corra por ele. E no vocal percebe-se a melancolia mais bonita, desertos cortados por asfalto e poeira, som de motos indo de algum lugar para lugar algum.

Inclusive parece que Hawley ama sua Harley (trocadilho não intencional), pois desde a capa, até os agradecimentos, a imagem de motocicletas é onipresente. permeia por todo o disco a sensação de busca de liberdade, de um mundo maior, e com menos informações que a era digital nos dá hoje em dia.

Todas as outras músicas reforçam essa impressão, desde The Only Road, uma balada country, até o romantismo à moda antiga de I´m on Nights.

Acho sinceramente que esse disco deve ser muito melhor se escutado em vinil dentro de uma jukebox, em um posto de gasolina perdido no meio do país. Por isso não sai do som de meu carro.

Escute, e perceba a necessidade de acelerar.

Cotação: 4 estrelas.

Músicas: Run For Me/ Darling/ Oh My Love/ The Only Road/ On The Ledge/ You Don´t Miss Your Water/ The Motorcycle Song/ It´s Over Love/ I´m On Nights/ Danny/ The Nights Are Made For Us

Música Chave: Run For Me


posted by ADOLFO COLEN 12:17 AM

Ficha Técnica:


Domingo, Agosto 24, 2003


Jards Macalé - Amor, Ordem e Progresso - 2003



Jards Macalé acaba de fazer 60 anos. Sua primeira aparição pública de destaque foi no Festival Internacional da Canção de 1969, cantando a apocalíptica Gotham City, composta em parceria com Capinam. De lá pra cá cruzou a história da música popular e de vanguarda feita no Brasil, com discos clássicos como Jards Macalé, de 1972, Aprender a Nadar, de 74, considerado por muitos sua obra prima e Contrastes, de 76.

Agora, Jards acaba de lançar este Amor, Ordem e Progresso, retomando a máxima positivista que deu origem à frase estampada na bandeira brasileira. Com o disco, lança também uma campanha, com o objetivo de reparar o erro histórico e colocar a palavra amor de volta na bandeira do Brasil.

O disco tem excelentes momentos. Abre com Consolação, clássico da Bossa Nova, de Vinícius de Moraes e Baden Powell: E se não tivesse o amor / E se não tivesse essa dor / E se não tivesse o sofrer / E se não tivesse o chorar / Melhor era tudo se acabar. Outros grandes momentos são Meu Amor Me Agarra e Geme e Treme e Chora e Mata, de Macalé e Capinam, Roendo as Unhas, de Paulinho da Viola e Positivismo, de Noel Rosa e Orestes Barbosa: Vai, orgulhosa querida / Mas aceita essa lição / No câmbio incerto da vida / A libra sempre é o coração.

Há também algumas inéditas de Macalé, como Canção Singela e Amo Tanto, simples e de belas letras. O mais interessante no disco, porém, é a instrumentação: O baixo de Arismar do Espírito Santo, a guitarra e o violão eletro-acústico de Victor Biglione e a percussão de Robertinho Silva criam uma atmosfera diferente, localizada em algum lugar impreciso entre as tradições do samba e do rock. O melhor exemplo desta atmosfera talvez seja Meu Amor me Agarra e Geme e Treme e Chora e Mata, nostálgica e apaixonada, o amor levado às últimas consequências.

Aos 60, Macalé faz mais um belo disco. Sem pressa, sem ansiedade, meio que fora de qualquer tempo. Não é um disco formalmente novo, mas também não é um disco que ficará velho. Sobre a imagem distorcida da bandeira do Brasil, na contracapa, lê-se a dedicatória a Waly Salomão, um dos maiores parceiros de toda carreira de Macalé, morto no início deste ano. Atemporal. O disco se encerra com Pano Pra Manga, de Macalé e Xico Chaves: A vida sempre por um triz / seja de bicho, bandido ou atriz / ninguém pode pedir o bis / Bom mesmo é sempre se viver feliz.
posted by TUNGO O DUNGO 1:37 AM

Ficha Técnica:


Sexta-feira, Agosto 22, 2003


Music Television?


Qua a MTV não é mais a Music Television, isso todo mundo já sabe. Já vai longe o tempo em que podíamos passar tardes e noites agradáveis vendo videos de bandas legais, muitas vezes com discos não lançados no Brasil. Gás Total, Lado B, aquilo era o feijão de arroz de qualquer jovem viciado em música e com algum tempo ocioso nas mãos.

Se hoje em dia existe todo esse endeusamento do Nirvana, ou essa classificação do Guns And Roses como clássico do Rock, muito se deve à então incipiente MTV Brasil. Me lembro nitidamente das pessoas em pleno verão usando camisas de flanela com bermudas de skate, cavanhaques ralos e cabelos oleosos, se chamando cândidamente de Grunge.

Aquelas horas passadas ente VJs que apresentavam bandas com o famoso estilo "helicóptero" (onde os braços não paravam de rodar juntamente com a boca) eram extremamente divertidas, e porque não, instrutivas.

O que me leva a perceber que hoje a MTV se tornou a Capricho televisiva, inclusive com um segmento dessa revista após o Disk MTV com dicas de cabelos, maquiagem e afins. A programação hoje é direcionada para assuntos de comportamento sem atitude, compasso rápido sem guitarras, maquiagem sem beleza interior.

A música, parte do nome da TV, ficou em terceiro plano, encalhada nas madrugadas e nas horas mais novas da manhã, em clipes em sua maioria repetitivos, mesmo nos mais antigos. Já perdi o numero de vezes em que vi o video de Hippychick da banda de indie-dance Soho seguido sempre pelo mesmo clip do Primal Scream. Provavelmente o programador que faz essas sequências gosta muito das bandas inglesas do início dos anos 90. Nada contra esses grupos, principalmente ao Scream do sempre inacreditável Bobby Gillespie, mas esse espaço, já pequeno, deveria ser mais variado.

Talvez eu deva me ater aos dois programas que mais me irritam no momento, exatamente por lidarem com essa parte mais negligenciada da programação da Capricho Television (ops...): o Pulso e o Jornal MTV.

O Pulso traz boas atrações, com entrevistas em sua maioria breves com bandas, mas quase sempre com assuntos estéreis, e sem polêmica. E o mais irritante: todos os vídeos, inclusive estréias, são mostrados totalmente mutilados, cortados pela metade, sem princípio e sem final. Um grande desperdício de dois excelentes VJs, a Penelope Nova e o Leo Madeira, sempre bem humorados, e com conhecimento musical bem interessantes.

O Jornal da MTV encontra em Edgard um bom apresentador, sem o conhecimento do Fabio Massari, mas você percebe que ele gosta do que faz, e que entende o bastante de música para levar o programa. O problema mora no seu co-apresentador...

Rafael, VJ e candidato a epiléptico, fica totalmente perdido por grande parte do programa, balbuciando frases sem sentido em meios a tiques mais-que-nervosos. Tenta entrevistar alguém, e só consegue se complicar. Pior de tudo, criou um quadro chamado "Piração do Rafa", em que escolhe um video qualquer para despejar no meio dele bobagens sem sentido de livros de auto-ajuda, de cara séria e trejeitos extremamente preocupantes, talvez efeitos contralaterais de sua medicação. É nítido e desconforto do pobre Edgard ao apresentar esse segmento. É involuntariamente hilário.

Eu cito dois programas ainda interessantes de se ver, com retorno garantido de diversão: o Gordo A Go-Go, sempre com entrevistas interessantes e irreverentes. João Gordo está em ótima forma, e parece que escolhem entrevistados para realçar isso. Gosto também do MTV Sports, sempre apresentado com simpatia pelo Meligeni.

E notem que eu não escolhi programas musicais, o que me deixa extremamente preocupado...

Nem entrei no fato de qualidade musical. Eu realmente não gosto de muito da música popular atual, mas isso não deve deixar que vocês me julguem como um órfão de rock´n´roll. Eu sou fã de música, de novidades, e quero sempre aprender mais um pouco sobre coisas novas, de Limp Bizkit a Christina Aguilera. Tenho fé na música, e podemos achar coisas legais de se escutar vindo de vozes que normalmente não nosagradam. Por exemplo, gostei muito da música que Eminem fez pro filme 8-Mile. E a Music Television brasileira não fala mais de música, nem mostra mais música.

Não entro nos detalhes de IBOPE, Vox Populi, essas coisas. Eu sei que isso é uma guinada para manter uma audiência, mas ao mesmo tempo que aproxima certa faixa etária, afasta uma das mais fiéis: os reais admiradores de música, que esperavam mais música de uma estação com o nome que a MTV tem.
posted by ADOLFO COLEN 5:04 PM

Ficha Técnica:


Quinta-feira, Agosto 21, 2003


Counting Crows X Los Hermanos



No início da década de 90 um grupo americano espalhou sua música por todo o mundo. Por todo canto, em qualquer boate podia se escutar aquela pegajosa canção do cara que, se fosse Bob Dylan, compraria uma guitarra e tocaria... A música virou mania mundial, catapultando a venda de um CD que em nada correspondia a ela. "August and Everything After" é sombrio, melancólico e difícil. Muitos dos que compraram decepcionaram-se com a não existência de nenhuma Mrs Smith, Mrs Tompson... tiveram que se contentar com Sullivan Street, Omaha entre outras.



No final da década de 90 uma outra banda lançou uma marca registrada no mercado. Com o nome de Anna Júlia a música virou verdadeira febre nacional. Tocada no carnaval, em boates, em festas de criança... Com ela o primeiro CD alcançou expressiva vendagem no cenário nacional...



As coincidências não param por aí...

Com um visual um tanto inconvencional o vocal da banda americana nunca esteve perto de ser um galã, mas a cada novo CD ele adquiria o respeito de outros artistas e da crítica, enquanto o público cada vez mais fugia daquele som que as vezes não soava muito amigável para o rádio. Mesmo com vendas pífias vem colecionando participações em CDs de outras bandas e artistas, como "Live" e "Ryan Adams". Comprovando o prestígio, no último CD da banda nada mais nada menos que Sheryl Crowl e Ryan Adams dão as caras e a queridinha Pop Vanessa Carlton acaba de gravar um single com eles.



Mas as coisas ficam mais parecidas quando comparamos os 2 CDs que marcaram a virada na carreira. "This Desert Life" e "Bloco do Eu Sozinho". Ambos atrasaram muito devido a problemas com as gravadoras. Ambos tiveram que ser refeitos, ambos foram reprovados pelas gravadoras, que acabaram lançando a contra gosto. Ambos foram fracassos de vendagem e representaram o que as bandas haviam feito de melhor e mais elaborado, ambos representaram o reconhecimento da crítica.



Classificam o Counting Crows como uma banda "One Hit Wonder", mas não é verdade. Suas músicas são excelentes e no final das contas eles não tiveram apenas um sucesso, eles simplesmente quiseram esquecer (de certa forma) aquele acidente de percurso que foi "Mrs Jones", eles eram mais que aquilo e sabiam, por isso não quiseram compôr a "Mrs Jones II - A revanche", podendo assim expandir sua música e angariar uma legião de fãs, não tão grande, mas que prefere escutar um disco coeso, bom do início ao fim, que um embuste imposto pelas gravadoras para empurrar 10 lixos junto com um hit...

posted by GUSTAVO MACIEIRA 10:03 PM

Ficha Técnica:


Terça-feira, Agosto 19, 2003


Essencial

1985. Caixas de som soavam estouradas por várias casas e lojas de discos, o som de mil abelhas raivosas encobrindo uma banda de pop sessentista, os Beach Boys haviam decidido fazer um concerto sob o ruído de maremotos.

É o que parecia ao se ouvir essas músicas. O nome da banda era Jesus and Mary Chain. O disco chamava-se PsychoCandy.

Os irmãos Jim e William Reid vieram de uma cidadezinha industrial nos confins da Escócia, chamada East Kilbridge. Criaram um som em que as melodias mais doces eram enterradas por ruídos ensurdecedores de microfonia e distorção, com letras brilhantes de hedonismo e insatisfação, vocalizadas de uma maneira pop, mas enterradas no meio do muro de chiados típicos do Velvet Underground circa White Light White Heat.

Claro, criaram comoção instantânea na imprensa britânica, que os chamavam de punk-surf-music, e outros adjetivos a mais. Ouvindo o disco hoje em dia, ainda é impressionante a sensibilidade melódica das músicas escondidas no meio de tantas explosões de guitarras que soavam como serras-elétricas.

Mas, claro também, os irmãos Reid, iconoclastas como sempre, estavam insatisfeitos com o hype excessivo. Diziam que aquele ruído todo era somente uma maneira de esconder a sua inabilidade para tocarem seus instrumentos. Na citação de Jim, " a microfonia está nos matando". Portanto, em 1987, tiraram grande parte do barulho que escondiam seus acordes delicados, e gravaram Darklands.

O disco é uma gema pop de primeira qualidade, com guitarras sinuosas, levemente agudas, baixo simples, e muita, muita inspiração. A mudança dos acordes, os solos simples, precisos, secos, tudo que uma boa canção precisa ter para nos pegar de jeito. A bateria pulsava rápida, nervosa, minimalista.

Realmente agora podíamos ouvir o que tinham a dizer, mas liricamente não mudaram muito a maneira de ver o mundo: chuva, suicídio, açúcar, sangue, amores extremos, quedas vertiginosas e praias cinzentas. O disco todo nos passa uma melancolia nervosa, lírica, simples. Vejam por exemplo alguns verso de uma de suas músicas mais conhecidas, Happy When It Rains:

"Falando rápido não pode me dizer nada/ Eu arrancaria minha pele por você/ Falando rápido na beira do nada/ eu quebraria minhas costas por você/ Sem saber por que/ Sem saber por que/.../Você foi meu dia ensolarado de chuva/ Foi as nuvens do céu/ Você foi o mais escuro do céu/ Mas seu lábios falaram ouro e mel/ E por isso fico feliz quando chove."

E as letras seguem nessa linha, acompanhadas de sons pulsantes, agridoces, até terminar, para espanto geral, com uma balada de violão (About You), simples e bonita. dizendo simplesmente: " Existe algo quente nessa chuva".

Simplesmente brilhante.

Cotação : 5 estrelas.

Album: Darklands (1987). Músicas: Darklands/ Deep One Perfect Morning/Happy When It rains/ Down on Me/ Nine Million Rainy Days/ April Skies/ Fall/ Cherry Came Too/ On The Wall/ About You.

Músicas- Chave: Happy When It Rains / April Skies.
posted by ADOLFO COLEN 4:08 PM

Ficha Técnica:


Esse é o 4- Track. Aqui se fala sobre música, da maneira que os autores bem entenderem. E a opinião, claro, é sua.
posted by ADOLFO COLEN 2:20 PM

Ficha Técnica:


This page is powered by Blogger. Isn't yours?