:: música a oito mãos ::
Adolfo Colen
Gustavo Macieira
Pedro Esteban
Tungo, o Dungo
:: o que passou ::
arquivos
:: estatísticas ::
usuários on-line
Pearl Jam - Lost Dogs
Este será o nome do aguardado CD de raridades da banda, que vem cuidadosamente sendo elaborado nos últimos 2 ou 3 anos. Para minha surpresa, é muito grande a quantidade de faixas que sequer sabia da existência, ou melhor, havia ouvido falar, mas acreditava serem devaneios...
Aí embaixo estáum bom motivo para esperar ansiosamente o dia 11/11/03, outro bom motivo é o lançamento de mais um DVD, que terá um dos shows da Turnê atual, com participação do Ben Harper em duas músicas...
![]()
Disc One
All Night
Sad
Down
In The Moonlight
Hitchhiker
Don't Gimme No Lip
Alone
Education
"U"
Black, Red, Yellow
Leaving Here
Gremmie Out Of Control
Whale Song
Undone
Hold On
Yellow Ledbetter
Disc Two
Fatal
Other Side
Hard to Imagine
Footsteps
Wash
Dead Man
Strangest Tribe
Drifting
Let Me Sleep
Angel
Last Kiss
Sweet Lew
Dirty Frank
Brother Instrumental
Bee Girl
Onde foram parar State Of Love And Trust e Breath, da trilha de "The Singles" (em português Vida de Solteiro - salvo engano-)?
posted by GUSTAVO MACIEIRA 7:56 PMFicha Técnica:
Sábado, Setembro 27, 2003
Sérgio Sampaio - Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua - 1973
![]()
"Eu tenho os dias contados, um encontro marcado e as mãos na cabeça".
Sérgio Sampaio apareceu para o público pela primeira vez em 1971, no disco Sociedade da Grã Ordem Cavernista, gravado em grupo por ele, Raul Seixas, Miriam Batucada e Edy Star. Um disco muito interessante, onde predomina o tom de sarcasmo, provavelmente por causa da presença magnetizadora de Raul Seixas. Há no disco, por exemplo, a antológica interpretação de Edy Star para Sessão das Dez : Quando eu vim do interior / Inocente, puro e besta... Vale ouvir.
Na sua estréia em disco, em 1973, Sampaio joga todas as fichas. Um disco de letras impressionantes, político, lírico, um disco muito intenso. A praia do capixaba Sampaio era o samba, sem dúvida, mas neste disco ele inclusive aponta para uma atualização do gênero, tanto nas letras como na harmonia, instrumentação e, principalmente, pelo uso dos recursos de voz e de estúdio. A influência de Walter Franco, estourado na época com "Cabeça", é bem clara no modo de cantar em algumas faixas.
Alguns trechos de letras do disco servem para ilustrar a diversidade dos temas. Em Leros e Boleros, nostálgico: Leros e leros / Traga branco seu sorriso / Em que rua, em que cidade / eu fui mais feliz? Político em Filme de Terror: Quem ousar sair de casa / Passe a tranca e feche o trinco / No chão do cine império da Tijuca / O cemitério do caju / O meu sangue jorra e borra de terror. Sobre a morte, em Pobre Meu Pai: Simples, meu pai / Faça um samba enquanto o bicho não vem / Saia um pouco, ligue o rádio meu bem / Não ligue que a morte é certa / Não chore que a morte é certa.
Mas os grandes momentos do disco estão no final. Se for pra escolher só uma, é a triste e bela Dona Maria de Lourdes, onde Sampaio dedilha seu violão e experimenta os limites da voz e da palavra, dos sentidos, dividindo frases, repetindo palavras, sobrepondo melodias, alcançando um lirismo dolorido e cristalino: Dona Maria de Lourdes, não espere por mim / Eu estou no paradeiro dessa gente / Quem morreu, quem teve medo, quem ficou / Eu estou no bar do Auzílio ou na Igreja / Onde quer que eu esteja eu não estou.
Em seguida vem um samba delicioso, Odete, e a música pela qual Sérgio Sampaio ficou mais conhecido, uma espécie de samba enredo triste, lento, deprimido, um samba enredo de 1973, auge da barra pesada da ditadura: Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua: Há quem diga que eu dormi de touca / Que eu perdi a boca / Que eu fugi da briga / Que eu caí do galho / e que eu não vi saída / que eu morri de medo quando o pau quebrou / Há quem diga que eu não sei de nada / Que eu não sou de nada e não peço desculpas / Que eu não tenho culpa mas eu dei bobeira / E que Durango Kid quase me pegou / Eu quero é botar meu bloco na rua / brincar, botar pra gemer...
Durango Kid aparece aqui como signo da ditadura e a dor de não poder botar o bloco na rua é driblada pela poesia e pela voz dolorida de Sampaio. Fechando o disco, uma bela homenagem ao parceiro Raul Seixas, outro que, como Sampaio, morreu cedo.
![]()
Pra quem quiser saber mais sobre Sérgio Sampaio, um Site-tributo.
posted by TUNGO O DUNGO 1:45 AMFicha Técnica:
Quinta-feira, Setembro 25, 2003
Essencial![]()
John Coltrane - A Love Supreme (1964)
Quando em uma noite fria de Dezembro de 1964 John Coltrane criou seu A Love Supreme, em 4 horas de gravação com seu quarteto, provavelmente as cidades litorâneas sofreram inundações por derretimento de calotas polares. Obra de Deus, como diriam alguns. Entre eles, o próprio Coltrane.
Feito, segundo o próprio autor, como ''uma humilde oferenda a Deus", e foi gravado como uma suíte em 4 movimentos, desenvolvendo estados de espírito de reconhecimento e êxtase religioso. O sax-tenor de Coltrane flui lindamente por essas músicas, variando do lirismo ao frenético em poucos instantes, sempre acompanhado por piano, baixo, e bateria, quase sempre agindo como cama para os solos de metal, algumas vezes tomando a frente, sempre com muita classe e gosto.
O primeiro movimento, Acknowledgement (reconhecimento) é algo meio insidioso, quente, com vários movimentos rápidos e sucessivos, se repetindo como se realmente buscassem a memorização dessa verdade.
O segundo, chamado de Resolution (resolução) é bem big band, com ritmo forte, e intervenções precisas cortantes, realmente preciosas.
O terceiro e o quarto se completam, com o ritmo frenético de Pursuance ( Busca) sendo seguido pelo lado mais lírico e contemplativo de Psalm (salmo). Do solo de baixo que liga as duas ao término de forma lírica do quarto movimento, um deleite para os ouvidos, música ideal para descansar os olhos, e abrir a imaginação.
Este álbum é reconhecido como a obra principal de Coltrane, e com razão: emocionante, de bom gosto, uma viagem rítmica e poética ao que há de mais transcendente na música. Ninguém, ouso dizer, explorou com tantos frutos o sax tenor.
E dizem que todas as músicas boas são dedicadas, ou inspiradas no diabo...
Cotação: 5 estrelas
Músicas : Acknowledgement/ Resolution/ Pursuance/ Psalm
Não existem músicas-chave, tem que ouvir todo!
posted by ADOLFO COLEN 12:48 AMFicha Técnica:
Terça-feira, Setembro 23, 2003
A Sagração da Primavera - Igor Stravinsky - 1913
![]()
Por causa desta obra, Stravinsky é considerado por muitos como o artista mais importante do século 20. A lenda em torno dessa peça é enorme. A primeira apresentação, em Paris, foi um verdadeiro caos. O público, incomodado com a música, jogava objetos de todos os tipos sobre os músicos. Vaias altíssimas quase impossibilitavam a audição. Uma verdadeira balbúrdia.
A Sagração era tão diferente de tudo que se havia ouvido até então que mesmo alguns músicos da orquestra se insurgiram contra a peça. Durante a apresentação, tocaram trechos da Marselhesa ou canções populares como Frère Jacques. Ao final do espetáculo, no meio da gritaria da platéia, Stravinsky fugiu por uma porta dos fundos do teatro, junto ao maestro e outros amigos, como criminosos. Já longe do teatro é que a ficha caiu: Aquela havia sido uma noite histórica.
A audição, hoje, não causa tantos sustos. Na verdade, essa mesma Sagração da Primavera que tanto inovou e chocou no princípio do século, redefinindo os caminhos da música erudita, foi usada posteriormente como trilha sonora do desenho animado de Disney, Fantasia. Aquele em que o Mickey é feiticeiro. Não assusta nem mesmo as criancinhas, ou, ao contrário, ajuda a embalar seus sonhos.
Mas ainda pode ser uma experiência estética muito forte a audição desta peça de Stravinski, que esboça melodias tonais e cai no atonalismo, vai da suavidade extrema aos mais ruidosos ataques de cordas, prenuncia e antecipa o dodecafonismo e outros caminhos que a história da música percorreu nos séculos XX e XXI.
PS: Hoje, no Hemisfério Sul, é o equinócio da primavera. A única data do ano em que o dia e a noite têm exatamente a mesma duração: 12 horas. Não é bom?
posted by TUNGO O DUNGO 9:49 PMFicha Técnica:
Sexta-feira, Setembro 19, 2003
Zeca Baleiro![]()
Líricas (2000)
Esse disco não é recente, mas voltou às minhas mãos depois de longa data, o que o faz de certa forma passível de resenha. O objetivo principal dessa é julgar como o artista se predispôs a seguir uma linha musical no disco, e o sucesso quase sempre parcial de sua intenção.
Líricas foi feito por Zeca Baleiro com o claro objetivo de gravar músicas de conteúdo poético, de emoção carregada pelo autor. A intenção já está marcada no design e capa do CD, em que Zeca posa como poeta inglês em uma foto bonita, granulada, em preto e branco. Mas na própria capa observam-se dois cachorros vira-latas, talvez uma piscadela de olhos para o ouvinte. nem tudo é tão lírico como parece, a malandragem existe.
O disco começa com Minha Casa, provavelmente uma de suas melhores músicas, com um instrumental meio country, meio folk, e uma letra de road movie, extremamente bonita e inspirada. A sensação de volta pra casa, de passagem do tempo é clara, e bem impactante. De sair com a alma lavada, e o coração apertado.
Continua com duas músicas acústicas: a canção Comigo, uma love story cheia de malemolência, e Proibida pra Mim, uma versão feliz da música do Charlie Brown Jr, em que se percebe uma certa delicadeza ausente na versão original. Um começo bastante promissor.
Mas é aí que o caldo entorna, na boba Babylon, um reggae acústico de letra infeliz, que destoa da beleza inicial do disco. Segue com a cínica Balada para Giorgio Armani, e com a regionalista Ê Boi. Um intervalo que não merece o título do disco.
As coisas melhoram sensivelmente com Nalgum Lugar, uma poesia de e.e. cummings, traduzida por Augusto dos Anjos, que ganhou um arranjo delicado e de muito bom gosto, deixando a belíssima letra sobressair. Quase Nada é outra balada, meio folk, meio rock, de levada gostosa, perfeita para se viajar.
Após outro escorregão em Você Só Pensa em Grana, termina com uma realmente lírica homenagem à saudade, Brigitte Bardot, que fecha o disco com chave de ouro, deixando uma sensação de melancolia gostosa no ouvinte.
No geral, um bom disco que não corresponde ao seu objetivo inicial, devido à irregularidade e infeliz escolha de algumas canções de repertório.
Por isso desconfio de todos os discos conceituais.
Cotação: 3,5 estrelas
Músicas: Minha Casa/ Comigo/ Proibida pra Mim/ Babylon/ Balada Pra Giorgio Armani/ Ê Boi/ Nalgum Lugar/ Quase Nada/ Você Só Pensa em Grana/ Blues do Elevador/ Brigitte Bardot
Músicas-Chave: Minha Casa/ Nalgum Lugar
posted by ADOLFO COLEN 2:50 PMFicha Técnica:
Quarta-feira, Setembro 17, 2003
Skank - Canecão 14/09/2003
Toda guinada na carreira de uma banda gera expectativas, quais sejam, como se comportará ela ao vivo e como seu público fiel irá se comportar... com o CD Cosmotron a banda mineira obteve êxito na primeira, com performances marcantes como as da próxima música de trabalho, "Vou Deixar", de "Pegadas na Lua", "Por um triz" e "Formato Mínimo". Todavia, faltou avisar para o público que eles estavam lançando um CD novo.
Um Canecão lotado ouvia calado cada música do novo CD, foram 8 e, com exceção da famigerada "Dois Rios", foram momentos de silêncio. Samuel Rosa ainda tentou levantar a bola do público, dizendo que ele (o público) estava sendo subestimado pelos críticos que diziam que não entenderiam muito bem o CD. Acho que foi isso mesmo que aconteceu...
Para não esfriar o show no entanto a banda se utilizou de todos os seus 10 anos de estrada e 7 CDs, uma música nova sempre vinha acompanhada de 2 ou 3 Hits e assim o show seguiu animado do início ao fim, com especial ênfase a "Canção Noturna" e "Três Lados", ambos do excelente Maquinarama.
Como pontos negativos do show ficaram o exagero em alguns solos e especialmente a performance da nova música "Nômade", que de tão burocratica consegue ser... sei lá... chata...
Conclusão: o show foi muito bom. Duas horas e vinte minutos da melhor banda nacional da atualidade (vendo-os ao vivo passo a colocá-los acima do Los Hermanos), as músicas novas funcionam bem ao vivo, mas talvez não em um show do Skank (pelo menos por enquanto), vez que seus fãs querem ouvir músicas como "Garota Nacional", "É uma partida de Futebol", "É Proibido Fumar" e ainda ouvem... desmérito? Nenhum, isso se deve a uma carreira sólida construída ao longo da última decada e que tem tudo para prosseguir por outra, pois talento e criatividade eles já provaram ter de sobra...
Cotação: 4 em 5
posted by GUSTAVO MACIEIRA 8:41 PMFicha Técnica:
Segunda-feira, Setembro 15, 2003
Ed Harcourt: Coração na Mão![]()
O cantor-compositor inglês Ed Harcourt tem apenas 24 anos e 2 discos na bagagem, mas promete.
Um autor prolífico (diz ter composto mais de 300 músicas), se equilibra com elegância entre o lírico e o cotidiano, muitas vezes misturando os dois. Faz um tipo de música que anda ultimamente fora de moda, um folk-rock-soul experimental, muitas vezes comparável ao som dos Beach Boys em sua fase psicodélica.
Tem uma voz algumas vezes parecida com a de Thom Yorke, mas parece ter a veia pop que foi esquecida pelo cantor do Radiohead, a harmonia como instrumento para emocionar o ouvinte. Ele parece ter a capacidade de emocionar somente pela maneira que usa a rouquidão de sua voz para causar a sensação de emoção rasgada, bruta.
Toca vários instrumentos, mas parece ter uma predileção pelo piano, que parece levar a maioria das músicas, em acordes sempre bonitos, algumas vezes sombrios, outras vezes contagiantes. Mas ainda brinca com o violão, o baixo, e o banjo.
O primeiro disco, Here Be Monsters, é um achado: músicas extremamente bonitas, falando invariavelmente de amor, de suas diversas maneiras. Das melodias ensolaradas de She Fell Into My Arms e Apple of my Eye à tristeza de Something in My Eye, um álbum simples e tocante. Simplesmente impossível ouvir e sair incólume à emoção impressa nas canções.
Esse ano viu o lançamento de seu segundo disco, From Every Sphere, em que Harcourt experimenta mais, usando loops de guitarras não ouvidos desde o fim dos anos 60, imagens fraturadas em melodias muitas vezes incomuns. Destacam-se a lisergia de All Of Your Days Will be Blessed, e o romantismo rasgado da lindamente entitulada Metaphorically Yours, onde ele canta, de punhos abertos, se rendendo: I confess I love you so, I confess I love you so. Inesquecível.
Pena que não foi lançado no Brasil, mas é válido conferir. Ninguém que carrega um coração no peito vai se manter inalterado após o fim dessas canções.
posted by ADOLFO COLEN 12:20 AMFicha Técnica:
Segunda-feira, Setembro 08, 2003
Show![]()
Coldplay - Via Funchal - SP
03/09/03
Vendo a platéia de pouca idade no Via Funchal, já se constata uma coisa de primeira: a banda que estamos prestes a assistir é de discografia recente; e pela reação intensa das pessoas, daquele tipo messiânico que provoca respostas fervorosas. E em tons meramente expectativos, espero ver uma raridade no cenário de shows brasileiros: uma banda famosa no auge, altamente afiada.
Não me decepciono com o Coldplay, claro.
Aos primeiros acordes de Politik, o frio na espinha prevalece, e dificilmente parece que o resto do show poderá segurar o impacto. Chris Martin se encolhe sobre as teclas do piano, e sua voz cristalina invade toda a casa, enquanto a banda toca seus instrumentos em texturas belas e pesadas de melancolia. Uma delícia, seguida por uma One I Love dançável e infecciosa.
Quando nos acordes iniciais de Trouble a platéia canta em uníssono a primeira estrofe (sem perder a entrada), o jogo está ganho, em menos de 15 minutos. A banda, incrédula, observa o sucesso que faz por aqui, e parece deliciada. Seguem-se Hits maiores e menores, como Shiver, e The Scientist, e todos continuam cantando. O vocalista chega a fazer uma reverência a seus fãs, tamanha a sincronicidade entre banda e platéia.
O climax chega em uma versão linda, linda, linda de Everything´s Not Lost, e que se pára a música no meio, Martin fala em português que espera que estejam todos gostando, para emendar com somente o piano e sua voz em falsete o resto da canção, que foi muito, mas muito maior que no disco, sem em nenhum momento parecer menos impactante e emocionante.
Para o Bis guardam a artilharia pesada: uma Yellow apenas burocrática, Clocks muito bonita, com direito ao laser visto no video (dá a impressão de se estar dentro do clip), e uma In My Place elétrica, pulsante.
A banda peca somente por não ousar mais, não fazer arranjos diferentes para as canções, todas muito parecidas com as versões dos discos. mas o que falta em improvisação, transborda em emoção. Chris Martin dança desajeitadamente, toca piano atabalhoadamente, mas nunca deixa de ser um poço de simpatia, e porque não, empatia com o seu público. Além disso tem um controle incrível de sua voz privilegiada, que não falha, somente toca, e muito, a platéia.
No segundo Bis, uma versão calma da já muito leve Amsterdam, fechando a noite com chave de ouro. Ainda vão falar muito desse show. Eu saí de lá acreditando que ainda é possível ser romântico nos dias de hoje. Claro que minha (muito) boa companhia me ajudou a sentir isso mais fortemente.
E quase não senti falta de Warning Sign...Quase.
Set List: Politik / One I Love / Trouble / God Put A Smile Upon Your Face / Shiver / The Scientist / A Rush Of Blood To The Head / World Turned Upside Down / Everything's Not Lost / Poor Me / Yellow / See You Soon / Daylight. BIS: Clocks / In My Place. BIS 2: Amsterdam.
posted by ADOLFO COLEN 4:28 PMFicha Técnica:
Quinta-feira, Setembro 04, 2003
Virna Lisi - Esperar o quê? - 1992
![]()
Era bom ser adolescente em Belo Horizonte nos anos 90. A cidade ainda não era violenta, podíamos andar de madrugada pelo centro da cidade, podíamos cair bêbados pelas ruas da Savassi. Podíamos fazer nossas bandas de rock e tocar no Squat. Aliás, podíamos tudo. Éramos adolescentes e, portanto, imortais.
Nessa época estavam nascendo em Belo Horizonte três bandas marcantes. O Skank, o Pato Fú e o Virna Lisi. As duas primeiras estouraram, estão aí até hoje, todo mundo conhece. O Virna Lisi teve seu momento de brilho, mas perdeu-se em alguma curva da estrada e hoje é uma banda quase esquecida, pouca gente se lembra.
Esse primeiro disco do Virna Lisi tem 22 minutos de música, som de fita demo e é um dos melhores discos de música brasileira feitos nas últimas décadas. Ao mesmo tempo que Chico Science e Mundo Livre forjavam o Mangue Beat, o Virna Lisi surgia com a sua versão da mistura de ritmos e influências que tem marcado a música brasileira de 90 pra cá.
A receita era a seguinte: as altíssimas guitarras de Ronaldo e Marden, O baixo seco de Marcelo, a Bateria pesada de Marquinho e César Maurício, com suas letras inspiradíssimas e tocando instrumentos de samba como nunca se fez na música brasileira. Reco-reco, tamborim, repinique, surdo, tudo cabia no guitar-rock do Virna Lisi.
O disco todo é muito bom. Abre com Passa: Passa não volta pra ver / vou como que arrancar com os caninos o que não tem mais / sentido nem rastro que me pertence / só pra parecer menos farsa mais ato falante. Poesia de primeira, música de primeira e, principalmente, performances fortíssimas, tanto no palco como disco.
Mas o ponto alto, a música pela qual o Virna Lisi vai ser lembrado é, sem dúvida, Esperar o Quê?. A letra é o seguinte: Vou esperar só mais uma hora depois deste minuto / Vou esperar só mais duas horas depois deste segundo de silêncio. Começa com o incrível riff de Ronaldo Gino, entra a bateria pesada, a outra guitarra, o baixo, os instrumentos de samba e a voz de César Maurício, rasgante, gritada, urgente. Grande momento do rock brasileiro recente.
Depois desse disco, o Virna teve medo de repetir a fórmula. Tentou novos caminhos, trocou integrantes, gravou dois discos irregulares e morreu. Bom, também não somos mais adolescentes, nossas bandas acabaram, o Squat fechou e ninguém mais, acredito, teve coragem de aproximar a boca dos gargalos da vodca Banhaus. O que sobrou mesmo foi este Esperar o Quê?. Ouvir esse disco do Virna Lisi em 2003 é quase uma viagem no tempo.
posted by TUNGO O DUNGO 12:26 AMFicha Técnica:
Quarta-feira, Setembro 03, 2003
Ciclo da Vida
Assim como os seres vivos, tudo que eles produzem respeitam o ciclo da vida, ou seja: Nasce, cresce, reproduz-se e morre. O ser vivo descobre o mundo. É descoberto por ele e passa a existir. Começa a repercutir sua existência, produzindo muito além de seus limites físicos, tão além que precisa se expandir, procurar outros meios de proferir seus ensinamentos, de perpetuar-se e, por fim, acaba como matéria orgânica que iniciará um novo ciclo.
É comum dizer-se que a morte física não extingüe uma vida pois ela permanece distribuída no coração de cada um que a amou. Sempre se pode perguntar se alguém que nasceu, cresceu e "morreu", sem deixar nenhum legado, realmente existiu. Nesse caso a morte não extinguiria nada, simplesmente porque não haveria o que extinguir. Esse ser, apesar de nascer e crescer não poderia desaparecer, pois para isso teria que ter aparecido. Ele nem sequer foi esquecido viveu um vácuo total...
Na música também ocorre esse fenômeno. Uma banda nasce, seja entre um grupo de amigos, por anúncios de jornais... Juntam-se seus membros com ideais de diversão ou mesmo com pretensões maiores. Começam a ensaiar, tocam em lugares pequenos. Adquirem uma certa notoriedade, gravam uma demo, passam a integrar o circuito alternativo e, como que por um passe de mágica estão no mainstream. Quanto mais tempo uma banda permanece no auge maiores as chances de surgirem seguidoras. É a reprodução da música, que fica ainda mais evidente com a morte física da banda, quando muitas vezes tentamos elevar uma dessas seguidoras ao patamar da "morta".
A banda é eterna enquanto sua música também for. Por mais que o letrista tenha morrido de overdose, o guitarrista virado crente, o baterista ficado surdo e o baixista mudado de banda sempre haverá aquele velho vinil ou CD embalando o coração de alguém.
Mas, como alguns seres humanos, algumas bandas não chegam sequer a existir, ficam restritas as próprias garagens, ficam estagnadas até que sucumbam ao tempo. Elas não morrem, elas nunca existiram, não marcaram presença no mundo não farão falta a ninguém pelo simples fato de não terem sido ninguém.
Na vida, assim como na música pode não haver a reprodução e, da mesma forma, não haverá morte enquanto alguém puder amá-la ou odiá-la, melhor dizendo, sentí-la! Somente a indiferença nos matará, somente esta pode realmente extingüir criador e criatura, o homem e sua música...
posted by GUSTAVO MACIEIRA 7:03 PMFicha Técnica:
Segunda-feira, Setembro 01, 2003
Resenha![]()
Skank - Cosmotron
Que o Skank não é mais o mesmo, todo mundo já sabe. Desde que a belíssima balada Resposta tomou seu lugar no CD Siderado, percebia-se que a banda podia oferecer muito mais, em termos de rock, do que a mistura de Dancehall e ritmos regionais brasileiros que era a tônica de seus primeiros três discos. Isso foi confirmado no ótimo Maquinarama, album de 2000 que viu a banda misturando seu som "clássico" com influências de MPB, eletronica e rock circa anos 60 e 70.
Nesse ano o Skank, após longa espera, grava o disco Cosmotron, e se nota desde a capa que o que estamos para ouvir é uma viagem ao passado, com muitos climas sessentistas e instrumental de rock. Ao se ouvir Supernova, a primeira música, a impressão se torna certeza: instrumental psicodélico que lembra muito, mas muito mesmo, Tomorrow Never Knows, a canção de Revolver que iniciou a era mais experimental dos Beatles. Loops de guitarra ao contrário, grande sotaque de mantras indianos, bateria forte e marcante. É uma experiência extremamente agradável, apesar de não ser nada novo.
E é por esse caminho que segue o disco, passando por baladas que não devem nada à fase solo de John Lennon, com muitos teclados e violões, e letras de romantismo árido e espacial, remetentes às do Clube da Esquina. Talvez o maior exemplo seja o primeiro single, Dois Rios, parceria entre Samuel Rosa, Nando Reis e Lô Borges, este último um dos baluartes do movimento mineiro.
Outro destaque vai para Formato Mínimo, a melhor música do disco, com letra de Rodrigo Leão (Professor Antena) cujos versos terminam todos em proparoxítonas, no estilo de Construção de Chico Buarque. É uma canção pulsante, com refrão forte e pop, totalmente calcado nas onomatopéias, já marcas registradas de Samuel Rosa em suas apresentações ao vivo.
E é isso que parece faltar um pouco nesse Cosmotron: o pulso, a alegria. Apesar de belas e bem resolvidas, certas canções parecem não decolar devido à falta de veia pop tão presente nos outros trabalhos do Skank. Parece que ao carregar na melancolia, esqueceram do clima festivo e esperto que era tão peculiar à banda, e que a diferenciava das outras bandas de pop-rock nacionais, sem nunca cair na apelação.
Mas de qualquer maneira, um belo disco. Junto ao Ventura do Los Hermanos, é o melhor lançamento de pop-rock nacional do ano.
Cotação: 4 estrelas
Músicas: Supernova/ Pegadas na Lua/ Amores Imperfeitos/ Por um Triz/ Dois Rios/ Nomade/ Vou Deixar/ Formato Mínimo/ Resta um Pouco Mais/ Os Ofendidos/ É Tarde/ Um Segundo/ Sambatron
Musicas Chave: Dois Rios/ Formato Mínimo
posted by ADOLFO COLEN 11:04 PM