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Tim Festival 30/10/2003 - Tim Lab - Los Hermanos
É certo que algumas bandas cativam pelo que são e pelo que fazem. Cativam por não quererem ser espelho para uma juventude revoltada, por não propalarem comportamentos ofensivos e por manterem suas convicções mesmo que para isso tenham que dar as costas para as rádios e a própria gravadora.
Algumas bandas tem a coragem de, a cada novo CD produzir realmente um novo CD, algo raro nos dias de hoje, mas sem nunca perder a identidade. Conseguem dar guinadas, emplacar um hit e descartá-lo tão logo entendam estar vulgarizado. Cada dia que passa tem-se a impressão que somente uma banda carrega, em âmbito nacional, tais características. Seu nome? Los Hermanos...
Mas o objetivo aqui não é contar a tragetória desses músicos, ex estudantes da PUC-RJ que saltaram do Underground Carioca para as conversas de sofisticados e saudosos fãs do bom e velho rock, mas sim relatar o show ocorrido na noite do dia 30/10 no MAM-RJ.
Existe um paradigma presente nos shows de Rock, a banda entra no palco, é muito aplaudida, começa a tocar uma música para aquecer o público, que, de início, canta somente os primeiros versos e cala. Pois esse é o primeiro paradigma quebrado. O show começa com uma música do último CD, que é cantada do início ao fim, por fãs que realmente gostam da banda, que não vão ao show somente por ouvir uma música que toca na rádio. Essa é a diferença de um grande show para um show grande!
O show continua predominantemente com músicas do último CD, que é tocado na íntegra (mais um paradigma destroçado). No meio delas algumas dos CDs anteriores (Menos outro paradigma, o principal hit ficou de fora). Todas elas cantadas por um coro de mais de 2000 vozes que esgotaram os ingressos para a noite de quinta (preciso dizer algo?).
No palco suas músicas ganham um peso impensável quando se está ouvindo o CD em um quarto escuro. Só quem já foi a um show do Los Hermanos entende a transformação que acontece.
O show prossegue, misturando rítmos, do Hardcore ao Rock MPBístico, dos gritos ao Lá Lá Lá. Da Urgência e tensão de "Ultimo Romance", que começa como uma pena e termina como uma bigorna de 2 toneladas em nossos ombros a melancolia de "Do sétimo Andar", passando pela ingenuidade de "Cadê teu Suin?"...
Mas como toda banda eles também possuem algumas músicas que marcam mais profundamente o coração dos fãs. Por isso o Tim Lab quase foi abaixo com músicas como "Todo Carnaval tem seu Fim", "Fingí na horar rir", "Quem Sabe" e "A Flor", e, após, deixou escorrer uma lágrima dos olhos com os fortes momentos de emoção de "Retrato pra Ia Ia", "Sentimental" e "A Outra".
Do Hardcore a melancolia, todos os versos de suas músicas, embora sem refrões grudentos que causam coceira em nossos cérebros ecoavam por um Tim Lab lotado e extasiado. Apesar de todo o desgaste ninguém se encomodaria de ficar lá por mais uma hora.
Por fim, os integrantes do Los Hermanos criaram um grande problema para a organização do Festival, que viu o melhor show encerrar apenas a primeira noite... um abacaxi para quem vem depois... menos mal que eles fizeram o show de encerramento da noite, caso contrário os músicos esforçados do Lambchop não iriam ter muito o que fazer por lá...
Breve tentarei falar dos outros shows...
PS: Infelizmente não estarei no White Stripes para relatar o show, mas quem sabe nossa correspondente na noite do dia 31 no Main Stage, Vivi, não escreva uma resenha?
Set List
O Vencedor
Além Do Que Se Vê
Samba A Dois
Todo Carnaval Tem Seu Fim
Tá Bom
Cadê Teu Suin?
Adeus Você
Cara Estranho
A Outra
Retrato de Iaiá
Último Romance
Fingi na Hora de Rir
Deixa O Verão
Do Sétimo Andar
Quem Sabe
Sentimental
O Pouco Que Sobrou
De Onde Vem a Calma
Assim Será
A Flor
posted by GUSTAVO MACIEIRA 4:38 PMFicha Técnica:
Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Boicotem o Metallica
Desde que o Metallica matou o Napster e transformou os internautas que baixavam músicas pela internet em procurados da Justiça tinha jurado nunca mais dar um centavo do meu rico dinheirinho para eles, mas veio o show da turnê desse novo CD e me empolguei, me prontifiquei junto com amigos a comprar rapidamente o ingresso para que este não esgotasse, concordando em pagar a exorbitante quantia de R$ 80,00. Quando vc gosta de ir a shows, prefere pular e cantar, gritar refrões a gastar dinheiro com a consumação mínima de uma boate esse tipo de gasto eventualmente é aceito, ainda mais quando se trata de uma banda com a carreira do Metallica.
Antes que comecem darei motivo para que todos falem mal de mim. Sim! Eu gosto do Black Album, acho muito bom mesmo, talvez o melhor do Metallica. Agora que os verdadeiros fãs, quer dizer, aqueles completamente bitolados que se recusam a reconhecer um bom CD só porque virou Mainstream podem me detratar e digo mais, também acho Load um grande disco. Agora que cativei o ódio de muitos semearei o meu...
O que eles fizeram com os fãs sulamericanos foi mais feio que bater em mãe. Por trás da atitude preconceituosa deles um argumento nobre, de que não gostariam de tocar aqui por tocar, fazer uma apresentação ruim para os fãs que tanto se esforçaram para assistí-los... bonito não? Logo em seguida garantiram que a turnê pelo Japão, com 6 shows, programada para começar em UMA SEMANA está confirmada, eis que terão uma semana extra para descansar. Adiciona-se o fato de que a última apresentação deles havia sido em 29/08 em Nova Iorque... Essa pegou mal...
Não vou pregar aqui que todos destruam seus CDs, isso seria idiotice, mas que ao menos não dêem mais dinheiro para eles... se gosta da banda baixe seus CDs na Internet e sobretudo não vá aos seus shows. Morrerei feliz se algum dia eles retornarem ao Brasil para tocar para 3 ou 4 pessoas e ainda assim serem vaiados.
Se não forem boicotar que ao menos lhe concedam uma sonora vaia...
posted by GUSTAVO MACIEIRA 11:53 PMFicha Técnica:
Terça-feira, Outubro 21, 2003
Pernice Brothers - Buscando o Pop Perfeito![]()
No mundo da música existe um Eldorado, uma utopia que já levou muita gente talentosa à loucura, afogando-se sem perdão: a canção pop perfeita. A idéia de um curto espaço de puro deleite, um biscoito fino de 3 a 4 minutos, onde toda emoção é compactada e causa uma reação forte do ouvinte, um acorde que ressoa no coração muito tempo após de terminado.
A canção pop perfeita, o derradeiro orgasmo musical.
Atualmente a banda que mais próxima chega dessa grande riqueza perdida atende pelo nome de Pernice Brothers.
Na realidade, a banda atende pelo nome de Joe Pernice, que acompanhado ou não do irmão Bob compõe todas as canções do grupo. Começou no início dos anos 90 com a banda de alt-country Scud Mountain Boys, onde fazia canções de forte apelo regional, mas com bases belíssimas e melancólicas, se apoando nas guitarras e nos instrumentos tradicionais do estilo, a slide-guitar e a gaita. São bonitas canções, mas não muito diferentes do que muitos hoje fazem nesse estilo já estabelecido.
A virada realmente aconteceu em 97, quando Joe formou o Pernice Brothers. Pelo espaço foram as instrumentações de Americana, e pelo espaço veio um som pop, amplo, cheio de guitarras tremulantes e orquestrações grandiosas. O nome do disco de estréia mostra de cara o humor ácido das letras da banda: Overcome By Happiness. Um album denso, com guitarras que remetem a Johnny Marr, e letras pelas quais Morrissey daria um braço para escrever. A voz de Joe Pernice também ajuda a criar o clima melancólico, macia como veludo, mas menos afetada que a do cantor dos Smiths.
Com seu segundo disco, chamado The World Won´t End (2001), a fórmula aprofundou-se. Os mais atentos irão notar que houve uma coletânia dos Smiths com esse nome, mas é exatamente nesse ponto que a banda se afasta mais das comparações. As orquestrações tomam conta das músicas, o piano contrapõe as guitarras mais ácidas, fazendo um pop cheio de referências clássicas e ganchos irresistíveis, impossíveis de não se acompanhar com os pés, ou assoviar junto. Ansiedade de discos de verão, tristeza para dias de chuva, ou vice versa. Funciona lindamente, com destaque para 7:30 e o deleite que é Bryte Side. Um disco irretocável.
Agora, em 2003, os Pernice Brothers lançam Mine, Yours and Ours, e para quem pensava ouvir mais pop de câmara, eles dão mais uma virada. No disco não se ouvem mais quartetos de cordas, somente rock tocado na forma mais básica, guitarra, baixo e bateria, com um pianinho aqui e acolá. Mas mantém a veia pop, com acordes estrondosos e fáceis de se acompanhar, letras mordazes e muita harmonia. Quem houve a música de abertura, Weakest Shade of Blue, dificilmente não ficará com ela na cabeça o resto da semana. Não é tão bom quanto o World Won´t End, mas mesmo assim o bastante para alegrar uma manhã chuvosa. Ou vice versa.
Eldorado, os Pernice Brothers guarda um pouco de seu ouro em suas canções.
Cotações:
Overcome By Happiness - 4 estrelas
The World Won´t End - 5 estrelas
Mine, Yours, Ours - 4 estrelas
Site: www.pernicebrothers.com
posted by ADOLFO COLEN 7:26 PMFicha Técnica:
Sexta-feira, Outubro 17, 2003
Travis - 12 Memories
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Quando em 1997 saiu "Good Feelings" não houve muito alarde. No decorrer dos meses que se seguiram o Reino UNido começou a abrir os olhos para aquela nova banda de Glasgow. O CD era sujo, distorcido, cru, mas ao mesmo tempo trazia uma melancolia impar.
Dois anos mais tarde chegava (já como um mega sucesso no mercado local) o segundo CD da banda, que aparentemente confirmou o Travis como uma das bandas mais talentosas da nova geração. Vejam bem que eu disse aparentemente, pois já em 2001 lançaram um terceiro um tanto sem sal, mas que conseguiu alcançar sucesso em praticamente todo o mundo com baladas de fácil assimilação como "Side" e "Flower in the window".
Chegou 2003... depois de um 2002 que quase testemunhou o final da banda eis que lançam 12 Memories. Pouca coisa pode-se falar desse CD. O mais relevante é que consolida a opção do Travis por músicas fáceis, pelo Mainstream. Não cabe um juízo de valor acerca de uma regressão em seu som, mas cabe dizer que as previsões não se confirmaram. O Travis é apenas mais uma banda da década de 90!
Em 12 Memories não existe uma música ruim, muito menos uma música boa, o CD é todo na média. Decepcionante para quem aprendeu a admirar a banda pelos seus 2 primeiros CDs.
É CD para se ouvir sem compromisso e provavelmente se esquecer um pouco depois.
Cotação: 2 estrelas
posted by GUSTAVO MACIEIRA 8:19 PMFicha Técnica:
Domingo, Outubro 12, 2003
Too Close to See Far - Cosmic Rough Riders
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O que esperar de uma banda que após atingir o auge perde o principal letrista e vocalista? Em princípio não muita coisa, exceto se esse vocalista estivesse emcobrindo o talento de outros membros da banda. Aparentemente foi isso que ocorreu com a banda escocesa The Cosmic Rough Riders.
Não está em questão o fato da banda ter ou não melhorado, do músico que a deixou ter ou não feito falta, ela simplesmente mudou, assumiu uma veia um pouco mais pop, mas sem perder o toque psicodélico de suas guitarras, muito menos da capa de seu CD, que, embora não traga nenhuma "Revolution (in the summertime?)" ou "Melanie" nos presenteia com ótimas canções do início ao fim, de "Justify the Rain" a "Smile", passando pela "For a Smile", a melhor do CD, sempre com letras bem feitas e arranjos bem elaborados, embora não tão ricos quanto os do CD anterior.
No final podemos perceber que nem toda mudança é boa ou ruim, mas apenas uma mudança. O CD está totalmente diferente, a voz que canta as canções mudou, o estilo instrumental também, mas o CD é igualmente belo, afinal, não é isso que importa?
Cotação: 4 1/2.
posted by GUSTAVO MACIEIRA 4:03 PMFicha Técnica:
Domingo, Outubro 05, 2003
Resenha![]()
Led Zeppelin - DVD
O Led Zeppelin é uma banda peculiar. Causa grande emoção e tédio infinito em pessoas diferentes, ou até nas mesmas pessoas em tempos diferentes. Possui um som incendiário, mas muitas vezes tem o impacto diminuído devido à diluição dos riffs matadores em improvisos intemináveis de tons progressivos, e virtuosismo e masturbação instrumental excessiva.
E esse DVD duplo mostra claramente ambas as facetas da banda.
Começa com um show muito bom de 1970, no qual a banda mostra sua pegada mais blueseira, ainda em início de carreira, com somente dois discos (I e II) lançados. Energia pura de quatro garotos apaixonados pela música negra americana, com uma carga mais pesada, bem pessoal. Destaques para a sinuosa I Can´t Quit You Baby, e a cover certeira de C´Mon Everybody.
Nesse mesmo DVD vemos nos extras três apresentações da época do primeiro disco, com repetições bobas de músicas, e haja saco para ouvir quatro vezes Communication Breakdown. Vale mesmo é o video promocional dessa música, que beira o hilário. Nunca havia presenciado pessoas tão desconfortáveis em dublar uma música como a dupla Page/Plant.
Já no DVD 2 vemos duas performances completamente diferentes: as sobras do pomposo show no Madison Square Garden, que originou o constrangedor The Song Remains The Same, consegue afundar ainda mais na arrogância. Já o biscoito fino do lançamento é o show acustico de 1975 em Earls Court. Após uma versão arrepiante de Going To California, a banda ataca com lirismo várias músicas, sempre emocionantes, culminando na famigerada Stairway To Heaven. Só essa parte já vale o preço salgado do DVD.
Completa ainda com um show competente e pulsante no Knebworth de 1980. Parece que a banda tenta se segurar na garra. tentar se provar na virada da década de 70, em meio à explosão do punk e new wave. E consegue se manter relevante, felizmente.
Enfim, o balanço é positivo. Para cada solo interminável de Dazed And Confused existe uma canção do calibre de Kashmir para contrabalançar com emoção crua e sensibilidade aguçada. Para um solo de bateria interminável em Moby Dick existe a ritmo implacável de Whole Lotta Love.
O Led Zeppelin pode ter influenciado várias bandas por todos os motivos errados, mas isso não tira o poder do que mais importava para os fãs de rock´n´roll, e que eles tinham de sobra: as músicas.
Cotação: 4 estrelas.
posted by ADOLFO COLEN 11:38 PM