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Emocore: Melando Cuecas de Tachinhas![]()
Existe no mundo punk-hardcore a crença de que suas versões de músicas alheias são superiores às originais. Parece que a simples idéia de acelerar o ritmo de uma canção pop e preenchê-la de guitarras distorcidas a torna mais digna e menos piega. São trilhas aceleradas para paixões juvenis alimentadas com noções pueris e ejaculações precoces.
Essa idéia não é nova, iniciou-se simultaneamente com os primeiros passos do punk rock, onde bandas como Ramones e Sex Pistols faziam covers anfetamínicas de sucessos do bubblegum dos anos 60, como Needles and Pins e Come On Everybody. E admito que gosto bastante dessas versões, são um grande prazer de se dançar e cantar junto, em um show de sua banda favorita.
Mas isso não as torna superiores às originais, somente diferentes. E é isso que não entendo nas bandas um pouco mais atuais, como NOFX e Offspring, que tomam músicas consideradas de gosto duvidoso e as relançam como meros chistes, piscando um olho para a platéia, como se dissessem: vejam como somos divertidos, fazemos paródias que se tornam hinos em suas casas, romantismo barato entre amplificadores caros.
E quem levou a sério fundou o Emocore, esse ser híbrido que já nasceu orgulhoso, onde pode-se cantar o que quiser de mais brega, mas que torna-se algo "relevante" simplesmente pelas guitarras distorcidas e a postura perigosa e underground. Não estou aqui para criticar quem fala de amor, eu sempre falo de amor, mas simplesmente para salientar que falar de amor levianamente em um pacote alternativo não torna tudo justificável.
Abaixo, coloco duas letras de músicas, para apreciação:
" Te ligar de madrugada sem saber o que dizer/ esperando ouvir a sua voz e você nem me atender/ nem ao mesmo pra dizer que não vai voltar/ não vai tentar me entender/ que eu não fui nada pra você/.../não sei viver sem ter você/ hoje eu queria te esquecer "
" Tá tudo errado, fogo cruzado/ e a gente não consegue se entender/ porque não me telefona/ dê notícias de você/ liga ao menos pra dizer que o melhor é te esquecer/.../é sua indiferença que me mata "
A primeira música, quem vê MTV conhece, é "Não Sei Viver Sem Ter Você", do CPM 22, sempre nos primeiros lugares do Disk. Já a segunda música também fez muito sucesso, mas em outro mundo musical. O nome dela é "Indiferença", de autoria de Zezé di Camargo, hit de sua dupla sertaneja-romântica. Notaram semelhanças?
Não estou aqui dizendo que falar de amor não é válido, justamente o contrário. As canções pop de amor são as que envelhecem melhor, que duram mais em nossos ouvidos, por falarem de um sentimento universal e extemporâneo. Ao contrário de canções de protesto, que usualmente são ressucitadas em momentos de guerra (vide Knocking on Heaven´s Door, com o trinado irritante de Miss Avril Lavigne), as canções de amor não têm data de validade.
Só não aguento ver essas pessoas dizendo que o amor deles é melhor que o dos outros. Tenha dó. Todo mundo sofre por amor, todo mundo tem uma história, e umas guitarras bem colocadas não vão fazer nenhuma diferença sem algum traço de sensibilidade e lirismo para acompanhar.
Portanto, meninos espertos e cheios de sentimento, escrevam sua própria canção de amor!
posted by ADOLFO COLEN 3:14 PMFicha Técnica:
Segunda-feira, Novembro 17, 2003
Caiu no Vestibular UFRJ-2004.
O tema da redação foi algo no estilo "A invasão da música estrangeira no mercado brasileiro". Não tivemos acesso a prova ainda, mas creio que tudo que ocorre no mercado musical atenda a interesses maiores. Bandas internacionais invadem o mercado nacional pois músicas nacionais não tem um potencial mercadológico para invadir outras terras. É a lei da sobrevivência. No mercado atual investir num artista que somente repercutirá no mercado interno causa prejuízo. A língua portuguesa, apesar de bela é de difícil acesso e isso limita muito as possibilidades dos artistas pátrios.
Adiciona-se a isso a ausência de novidades no mercado nacional... o maior destaque da atualidade é uma menina pré fabricada, da qual fizeram a imagem e semelhança da mãe e investiram numa maciça campanha publicitária. Sem tirar seus méritos, posto que desconheço seu trabalho (que aparentemente é realmente bom), acredito que isso desvalorize a música nacional. Outros que fazem sucesso tentam copiar fórmulas que funcionam bem em outros lugares e que acabam sendo muito melhores executadas neles. Isso acontece principalmente com a música adolescente e com o Rock. Com boa parte da sociedade consumidora de CDs originais falando inglês fluente fica difícil competir com gigantes americanas.
A música brasileira manterá sempre suas características regionais. No interior teremos duplas e cantores sertanejos lotando arenas e festas de rodeios. Nas cidades bandas nacionais servirão de "tapa buracos" para os jovens que não tem oportunidades de ver suas bandas preferidas tocando no Brasil e, no meio de tudo isso, sempre teremos aqueles cantores e bandas das quais é "cult" ser fã.
A cultura brasileira nasceu fadada ao fracasso, não se procura novidades, tudo acaba sempre focado nos mesmos figurões, assim como na literatura, uma vez que nas escolas somos condicionados a ler somente autores como Machado de Assis, Drummond, Mario e Oswald Andrade, Clarisse Lispector... os professores são incapazes de indicar literatura contemporânea, aquela obra lançada ano passado, mês passado, semana passada. Professores de Literatura e Português pararam no tempo, vestindo-se com o manto da intolerância por novidades. O jovem não quer ler histórias do início do século passado. Literatura "clássica" deve ser indicada para aqueles já encaminhados sob risco de desencaminhá-los para sempre. O mesmo se dá com a música.
Dê uma oportunidade a todos. Dê-lhes modernidade que em breve eles estarão em busca de qualidade...
posted by GUSTAVO MACIEIRA 11:13 PMFicha Técnica:
Segunda-feira, Novembro 10, 2003
Aqui estava um folder do show do Los Hermanos no dia 28/11 no Campinter Club em Niterói. Foi necessário retirar a figura por estar um tanto pesada, atrapalhando a visualização da página...
Grato pela compreensão de todos...
posted by GUSTAVO MACIEIRA 10:56 PMFicha Técnica:
Quinta-feira, Novembro 06, 2003
Certas coisas deveriam acabar enquanto ainda estão por cima...
Acústico de Zeca Pagodinho?
Se não sabe brincar não brinca, isso já deixou de ser provocação, já virou piada de mau gosto...
posted by GUSTAVO MACIEIRA 5:29 PMFicha Técnica:
Segunda-feira, Novembro 03, 2003
Resenha![]()
The Strokes - Room On Fire (2003)
O segundo CD de uma banda que estorou logo de cara na estréia, como todos sabem, sempre será uma novela. Com o Strokes não foi diferente, claro.
Grande expectativa, pressões do público, gravadora e, e principalmente, deles mesmos. Ninguém que tenha alguma integridade artística gostaria de seguir um álbum excelente com uma bomba. Julian Casablancas mesmo disse em recente entrevista que pensou em abandonar tudo, por não se sentir preparado para enfrentar o fantasma do segundo disco. Mas ainda bem que voltou atrás.
Room on Fire começa com uma música bombástica, sensual, cínica, chamada Whatever Happened, daquelas que imediatamente pega o ouvinte de surpresa, tamanha a vontade de acelerar o carro, de balançar a cabeça com o ritmo, de cantar junto. Vocais gritados, letra esperta, e muito barulho.
Barulho que aumenta em Reptilia, logo em seguida: ritmo alucinante, baixo galopante, e muita animação chapada, pois parece ser desse tipo toda a alegria strokiana, desde o primeiro disco.
Mas o que realmente chama a atenção no disco são os efeitos das guitarras, principalmente em 12:51, o single que toca na MTV. Não se ouviam riffs e sons assim desde o início dos anos 80, sons eletrônicos antigos, sintetizados, lembram muitos os licks de Bernard Summer nos discos mais antigos do New Order. Eu nunca imaginei que tais sonzinhos me fizessem falta, mas a gente se surpreende...
Quem diria que o som mais atual do início do século remontaria ao Technopop...
Outra impressão surpreendente é a de que a banda nova-iorquina anda ouvindo reggae. As músicas Between Love and Hate e Meet Me in The Bathroom, posso jurar, possuem certos andamentos tipicamente jamaicanos enterrados na muralha de guitarras.
Mas o mais legal para os fãs é que, apesar de tudo isso, tudo ainda soa como Strokes. Soa lesado, cínico, barulhento e lírico.
Mas talvez a pressa para ter músicas o bastante para fazer um disco completo tenha prejudicado um pouco o andamento da obra do meio para o final. Algumas músicas ali parecem cópias do Is This It, e contradizendo o que eu disse acima, isso também soa um pouco repetitivo.
Enfim, me parece que o grande disco dos Strokes será o terceiro, onde terão abandonado a ansiedade do segundo, e evoluído mais as excelentes idéias aqui rascunhadas.
De qualquer maneira, ótimo disquinho, vale a pena ter.
Cotação: 4 estrelas
Músicas: Whatever Happened?/ Reptilia/ Automatic Stop/ 12:51/ You Talk Way Too Much/ Between Love and Hate/ Meet Me In The Bathroom/ Under Control/ The Way It Is/ The End Has No End/ I Can't Win
Músicas-Chave: Whatever Happened/ 12:51
posted by ADOLFO COLEN 1:39 AMFicha Técnica:
Sábado, Novembro 01, 2003
Clara Crocodilo - Arrigo Barnabé - 1980
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Na passagem de ano de 1999 para 2000 estávamos em uma praia, no litoral paulista. Antes de entrar no mar e ficar de lá assistindo a queima de fogos, fizemos algo combinada há alguns anos: fomos para o carro e colocamos no toca-fitas o disco de Arrigo Barnabé, na última música, Clara Crocodilo.
Com voz rouca e gritada, Arrigo faz uma narração, estilo rádio sensacionalista, sobre sons de baixo e bateria bastante desconexos: "São Paulo, 31 de dezembro de 1999. Falta pouco, pouco, muito pouco mesmo para o ano 2000 e você, ouvinte incauto, que no aconchego de seu lar, rodeado de seus familiares, desafortunadamente colocou este disco na vitrola, você que, agora, aguarda ansiosamente o espoucar da champanha e o retinir das taças, você, inimigo mortal da angústia e do desespero, esteja preparado... o pesadelo começou."
Nós havíamos libertado o perigoso marginal, o facínora, o delinqüente Clara Crocodilo, inimigo público número 1. Este personagem de Arrigo Barnabé, responsável por seu melhor trabalho em música popular, tem toda uma história desenvolvida em músicas anteriores, uma espécie de ficção científica brasileira, com inspiração em histórias de quadrinho e no submundo de São Paulo.
Nem todo o disco é centrado na história de Clara Crocodilo, há outras músicas como "Acapulco Drive-In", "Orgasmo Total" e "Sabor de Veneno", que mantém a unidade temática e estética do disco, que introduziu o dodecafonismo na música popular brasileira. Pra quem não sabe, o dodecafonismo é uma espécie de democracia das notas musicais. O compositor faz uma série de doze notas, e cada nota só pode ser usada novamente depois que todas as outras aparecem na melodia.
O Dodecafonismo é a base deste disco, mas Arrigo usa outros elementos estéticos que tornam "Clara Crocodilo" um caso único na música brasileira: a já citada narração radiofônica, os arranjos com os vocais femininos, dividindo e repetindo as palavras, buscando novos sentidos, as citações improváveis (até Paulinho da Viola comparece), diálogos entre personagens como num roteiro de cinema, descrição de ambientes, temas urbanos, etc.
Participam do disco músicos como Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Paulo Barnabé, Regina Porto, Vânia Bastos, entre outros. No final da obra, Arrigo tenta descobrir onde está Clara Crocodilo, depois de nos confundir nas perseguições e no labirinto sonoro do disco, e acaba com uma frase arrepiante: "Onde andará Clara Crocodilo? Será que está em sua mente esperando a ocasião propícia para despertar e descer até o seu coração... Ouvinte meu, meu irmão?"
Em 1999 Arrigo regravou o disco, ao vivo. Ele considera esta nova versão a definitiva. Prefira, porém, a de 1980, histórica, urgente, aflita, precisa. Outros discos importantes de Arrigo são "Tubarões Voadores" e "Gigante Negão".
posted by TUNGO O DUNGO 6:16 PM