Adolfo Colen
Pedro Esteban
Gustavo Macieira
Tungo, O Dungo
Segunda-feira, Dezembro 29, 2003

Trilhas Sonoras - Singles (Vida de Solteiro)



Cameron Crowe é um diretor sui generis, que traz a seus filmes pitadas de rock na medida certa, sua carreira está marcada por grandes trilhas sonoras, afinal, quem pode falar mal da trilha de Quase Famosos? Poucos se atreveriam, mas aqui comentarei sobre outra grande trilha sonora de sua responsabilidade. A trilha de "Singles - Vida de Solteiro" é uma ode ao rock de Seattle, com as principais bandas figurando no set.

O CD começa com a clássica "Would?", do Alice in Chains, traz duas músicas do Pearl Jam, além de soundgarden, Chris Cornell, Screaming Trees, Jimi Hendrix e o intruso da turma, impotado de Chicago, o Smashing Pumpkins. É puro rock da primeira a última faixa, o filme e sua trilha são as maiores provas de que rock e amor caminham juntos.

Enquanto está em um show do Alice in Chains o casal se conhece, a relação é tumultuada, em certo momento podemos ver Linda suspirando pelo seu amor ao som de Radio Song do REM, mas não me recordo muito do filme para contar sua história, é um filme de amor para jovens, com muito rock ´n roll e problemas conjugais, o que importa aqui é uma trilha muito bem trabalhada.

O amor pode ser encontrado nas guitarras, sempre sonhei em ir para uma boate e dançar ao som de State of Love and Trust, mas acho que esse sonho só seria possível em Seattle no ano de 1992. Lá um roqueiro amador recebe dicas de Eddie Vedder e tem como guitarrista da banda Stone Gossard, ganha o amor da namorada somente por lhe dizer saúde após o espirro... afinal, é a terra do Grunge, é a terra do Pearl Jam, de Jimi Hendrix, do Nirvana, Soundgarden, Alice in Chains, Screaming Trees e tantas outras bandas, é a terra da chuva, do céu cinzento, mas quem se importa? Se o CD estiver tocando em meu CD Player eu não me importo...

Um filme de amor, uma trilha perfeita, essas coisas somente nos fazem lamentar o fato da vida real não ser assim...

1. Would? - Alice In Chains
2. Breath - Pearl Jam
3. Seasons - Chris Cornell
4. Dyslexic Heart - Paul Westerberg
5. Battle Of Evermore - The Lovemongers
6. Chloe Dancer / Crown Of Thorns - Mother Love Bone
7. Birth Ritual - Soundgarden
8. State Of Love And Trust - Pearl Jam
9. Overblown - Mudhoney
10. Waiting For Somebody - Paul Westerberg
11. May This Be Love - Jimi Hendrix
12. Nearly Lost You - Screaming Trees
13. Drown - Smashing Pumpkins

Cotação: 5 estrelas

Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 11:17 PM

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Segunda-feira, Dezembro 22, 2003

Nós dançaremos rock para sempre, e sempre, e sempre...

Corriqueiro que pessoas adquiriram um gosto musical pelo que escuta em casa, mas em uma casa com mais de 1000 CDs que passeiam pela música clássica, Óperas, erudita, MPB, Rock dos anos 60, 70, 80 e pasmem, Falcão e Paulo Silvino, não seria de se esperar que alguém pudesse ter uma ligação tão forte com o dito insosso rock dos anos 90.

Quando ainda eram uma grande banda o Travis cantava sobre os anos 80 e 90, comparando-os dizia que os atuais (a música era da década de 90) eram muito melhores. A década de 80 foi algo para se esquecer, definitivamente... New Wave, Heavy Metal com Metaleiros parecendo travestis... Poucas bandas se salvaram, mas estas não são bandas quaisquer, são U2, REM entre outras, que em muito contribuiram para o alternative rock que veio como prolongamento do Grunge, conciliando a melodia das primeiras com a fúria das roupas de flanela e bermudões.

Poucas bandas sobreviveram aos anos 90, pela seleção natural umas ficaram para trás, não por serem piores, afinal, o pássaro Dodo era muito mais legal que o pombo, mas foi extinto. Algumas bandas agonizam, não conseguem mais atingir as massas isso porque tudo na vida segue um ciclo e todo ciclo acaba em chuva.

Não dá pra dizer quais bandas voltarão a ter sucesso; Pearl Jam, Live, Counting Crows... pouco importa, meus filhos crescerão ouvindo esses sons para talvez, em 2020 estarem me chamando de careta e ouvindo um som intergalático...

Ninguém nunca dançará o mesmo rock a vida inteira. Por mais que acreditemos que nada mais há a inventar algo surge, para o bem ou para o mal...

Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 8:46 PM

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Quinta-feira, Dezembro 18, 2003

A farça da Rádio Rock

As pessoas acreditam que eu passo o dia inteiro ouvindo rádio, apenas porque sou capaz de dizer a seqüência de músicas da Radio Cidade do Rio de Janeiro, mas não é bem por aí, seu esquema de funcionamento é o seguinte:

Existe um pilar central na programação da rádio. Durante os períodos do dia de programação normal eles seguem a seqüência de 2 músicas estrangeiras para uma brasileira. Em um intervalo de uma hora e meia (mais ou menos - mais para menos...) eles começam a repetir as bandas. É impossível ouvir a rádio durante esse período de tempo e não tocar Evanescence, Linkin Park e Red Hot. Quanto as nacionais, nesse período com certeza tocarão 2 dessas 3 bandas, Charlie Brown, Rappa e Legião. A programação de tão limitada chega a ser uma piada. Nos minutos vagos eles colocam intervalos, outras bandas extremamente comerciais, como U2, Offspring, Pearl Jam, Limp Bizkit, Oasis, Coldplay, Nirvana, Capital Inicial, Marcelo D2, Los Hermanos, Detonautas (sempre as mesmas músicas) e, a cada 3 horas mais ou menos (é uma estimativa altamente imprecisa...) toca um clássico daqueles bem manjados, estilo Smoke on The Water, Light My Fire ou The Wall. Sobra ainda tempo para tocar uma música de uma banda um pouco menos badalada.

Essa é a programação da "Rádio Rock". Nada de novidades, a mesma música tocando quase que de hora em hora, uma tentativa de massificar lixos como Pitty e Linkin Park na cabeça de todos, o mais deplorável é que essa tática se mostra extremamente eficiente, até eu gosto de alguns sons do Linkin Park e me envergonho por isso...

Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 10:25 PM

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Segunda-feira, Dezembro 15, 2003

Encontros e Desencontros


Amar música é para a vida toda. É o exercício de um relacionamento cíclico, em que você se apaixona, briga, termina, se apaixona de novo. São flertes com uma nova sensação, ou aquele amor antigo cultivado por vários anos, casamento que supera as inconstâncias de namoros e separações.

Inclusive, a música é uma amante que pode se tornar mais carinhosa e presente nas separações. Te acompanha nas estradas mais solitárias, e nas festas mais lotadas, sempre segurando uma mão em sua cabeça e outra batendo no ritmo mais forte ou mais fraco de seu coração.

Ter uma música para cada momento, relembrando em polaróides auditivas e muitas vezes amareladas um tempo diferente, um sopro empoeirado nos ouvidos que te remete a um outro você. Se sente de novo aquele menino cheio de dúvidas, de excitação. Ou então se sente velho, já tendo passado por tanta coisa desde então. Ainda mais, em grande confusão, pode se sentir como uma mistura dos dois.

Amar a música é uma dança em que não importa se dance sozinho ou acompanhado, é sempre no seu próprio passo, no ritmo que só quem pode ditar é você, o que sente, o que foi e o que hoje é.

E como todo amor, inclui a máxima dicotomia, a mais total contradição: a saudade dos tempos inexistentes.

Nessa semana, me sentei em uma sala de cinema, sozinho, pegando o filme que começaria mais prontamente, já que não havia planejado nada. Começam os trailers, e de repente sinto um arrepio. Uma bateria seca, com ecos, dando lugar a guitarras em camadas como sinos, estridentes, melódicas, agridoces. É Just Like Honey, do Jesus And Mary Chain, tocando pela sala ninando imagens de uma Tóquio noturna, onírica, cheia de neon. O filme se chama Encontros e Desencontros, um título que explica e confunde o que sinto no momento.

Porque todo mundo que me conhece há mais tempo sabe que eles são minha banda favorita, desde a adolescência, e que essa música é para mim provavelmente a melhor música de todos os tempos. E ouvindo em calafrios a música que toca por pelo menos um minuto inteiro na introdução, ouvindo as guitarras ecoando em dolby em ondas pela sala escura, eu volto um pouco a ser aquele menino. Aquele de roupas largas e meio gastas, desfiadas, com discos debaixo do braço, andando pelas ruas da cidade, do colégio para casa.

E o adulto percebe naquele som alto, denso e que preenche todo o ambiente, que nunca pude vê-los ao vivo. Uma saudade de um tempo real, e uma saudade para o que nunca aconteceu.

É o amor à música, é isso, sua definição.

Desnecessário dizer que não prestei muita atenção no filme que passou depois, e que não perco no cinema o outro, completo. Pelo romance, somente por ser mais uma história de amor sobre nossas histórias particulares de amor.

Escrito por ADOLFO COLEN às 1:14 AM

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Sábado, Dezembro 13, 2003

Bandas Novas

É normal que bandas do circuito alternativo sigam o caminho fácil para o estrelato, que tentem partir para as letras de amor carregadas de clichês, que partam para as facilidades oferecidas pela onda do emo-core, mas nada disso se aproxima da banda Radiola. Finalistas do Concurso Rio Arte na Garagem eles não levaram prêmios, mas saíram consagrados pelo público e crítica, que destacou a mistura de influências que se distancia muito dos clones de Charlie Brown Júnior que com eles disputaram, além das letras do Parracho, sempre carregadas de poesia.

A banda foi formada em 2000 e é composta por Fabiano Parracho (voz/guitarra), Zac Pimentel (Guitarra), nosso amigo Rodrigo Jardim (baixo) e Vitor Vieira na bateria. No momento encontram-se finalizando o primeiro CD demo, que a qualquer momento deve ser lançado. Outra boa notícia veio no início desse mês, o site da banda, a muito esquecido, voltou a ser atualizado e com isso trouxe 4 MP3s para download.

Para nosso azar (meu e dos outros integrantes do 4-Track), apesar de sermos amigos de Rod Rod ainda não tivemos a oportunidade de acompanhar a banda ao vivo, mas assim que ela surgir estaremos lá nas primeiras filas, fazendo resenhas para cá e, quem sabe trazendo uma entrevista exclusiva com essa banda que um dia poderá estar estampada em todas as principais revistas do ramo.

Para maiores e melhores informações e para download de MP3s acesse: Radiola Web Page

PS: Não deixe de baixar a música Amar Go!

Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 10:12 PM

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Quinta-feira, Dezembro 11, 2003

Top Ten 4-Track - 2003

Choro, gemidos, ranger de dentes...Não foi preciso nada disso para escolhermos os dez melhores discos lançados este ano. Mas que foi difícil, foi.

Este ano foi marcado pela total falta de novidades no mundo musical, e pelos parcos lançamentos de edições nacionais de grandes cds alternativos internacionais. Mas pelo menos tivemos a bela surpresa das duas melhores bandas nacionais da atualidade terem lançado cds novos. Los Hermanos, a Legião Urbana para a nova geração (gente cantando as músicas em coro, seguidores próximos aos de uma religião) cometeu o excelente Ventura. Já o Skank, a banda mineira mutante, abandona cada vez mais os ritmos dançantes, indo em direção ao rock sensível e sofisticado, com o não menos brilhante Cosmotron.

As duas listas abaixo foram compiladas por mim e pelo Gustavo Macieira, e claro, possuem semelhanças e diferenças. Faltaram as listas de nossos dois outros sócios. O misterioso Tungo, o Dungo, nosso acessor especial de MPB, resolveu abandonar nossas estalações por um período de tempo indeterminado. Existem boatos não confirmados dele e sua companheira Tunga se esforçando para cobrir todos os festivais de cinema em que seu belo curta-metragem está sendo apresentado. Ou que simplesmente foi ver Lêmures no madagascar. Escolha seu veneno.

Já o Sr Pedro Esteban, nosso correspondente para assuntos jazzísticos e webdesigner superlativo está nos Estados Unidos, conhecendo a comunidade coreana local. Dizem a boca pequena por aí que está se sentindo muito importante para nos passar sua listagem, mas é somente o ranço das desesperadas fãs que deixou aqui em solo brasileiro. Mas que é elitista, ah, isso é. Vide o belo template que fez para esse blog, mas que só pode ser visto com toda sua opulência em definições seletivas de vídeo no computador.

Mas sem mais delongas, a lista do 4-Track para o que de melhor se escutou no ano de 2003. Em nossa opinião, claro. Se sintam livres para dar opiniões, e nos xingar, se necessário.

Gustavo Macieira:

1 - Zwan - Mary Star Of The Sea
2 - Fountains of Wayne - Welcome Interstate Managers
3 - Skank - Cosmotron
4 - Cosmic Rough Riders - Too Close to See Far
5 - Belle & Sebastian - Dear Catastrophe Waits
6 - Los Hermanos - Ventura
7 - Living Colour - Collideoscope
8 - Ben Harper - Diamonds On The Inside
9 - Death Cab For Cutie - Transatlanticism
10 - Train - My Private Nation

Adolfo Colen:

1. Ed Harcourt - From Every Sphere
2. Pernice Brothers - Yours, Mine and Ours
3. Los Hermanos - Ventura
4. Skank - Cosmotron
5. White Stripes - Elephant
6. Ben Harper - Diamonds on Inside
7. Strokes - Room On Fire
8. Zwan - Mary Star of The Sea
9. Belle and Sebastian - Dear Catastrophe Waits
10. Damien Jurado - Where Shall You Take Me

Escrito por ADOLFO COLEN às 5:46 PM

Ficha Técnica:


Quarta-feira, Dezembro 10, 2003

Alt.Country: Velha Tristeza Para Novos Hábitos


Alternative Country, Alt. Country, Americana. Nomes para um estilo musical, ou somente mais uma reciclagem de algo antigo com embalagem mais brilhante?

Provavelmente nem um, nem outro. O estilo do qual de fala tanto desde o início dos anos 90 é country-rock, algo que tem sensação de redundância, pura e simples, já que o rock não é nada mais que uma mistura eletrificada do country, do blues e do gospel. A união da música branca e da negra em uma criatura mestiça, e meio melancólica, perigosa, lasciva.

A primeira banda que se destacou fazendo esse tipo de fusão foram os The Byrds, que depois de sua fase psicodélica se juntaram ao lendário Graham Parsons (que depois formou o Flying Burrito Brothers) para compor Sweetheart of The Rodeo, um disco híbrido de guitarras elétricas com banjo, slide e desolação d epradarias. Um clássico que influiu em toda cena da época, dando vazão a bandas mais bem-sucedidas comercialmente, como os Eagles em seu Hotel California.

Corta para o final dos anos 80, quando surgiu uma banda chamada Uncle Tupelo, em que dois compositores talentosos e jovens começaram a misturar o punk rock de sua adolescência com as músicas tradicionais ouvidas durante a infância. Fizeram grandes discos, culminando com a obra-prima do famigerado estilo alt: March 16-20 1992. Nesse disco fizeram arranjos de músicas de igreja e de canções country antigas juntamente com composições próprias, com muita personalidade e pegada. O disco inclusive foi produzido por Peter Buck, do REM, e foi o último da banda.

Mas os dois compositores não pararam por aí, e continuaram com suas respectivas bandas. Jay Farrar formou o Son Volt, em estilo mais tradicional, e Jeff Tweedy...Bem, esse formou o Wilco, já mais famoso atualmente que sua antiga banda, em um estilo inicialmente tipicamente alt.country para depois ir mergulhando aos poucos no pop experimental.

Outra banda que já finada rendeu a seu líder uma posição mais privilegiada no mundo do rock é o Whiskeytown. A banda se aproximava mais do rock, mas ainda mantinha vários elementos do country, principalmente no instrumental. Já mostrava com certeza o talento para produzir grandes canções de Ryan Adams, e também já refletia sua personalidade complicada, tanto que depiois de três discos em 3 anos a banda encerrou atividades, e Adams partiu para uma carreira solo incensada pela crítica especializada.

Mas existem várias outras bandas interessantes no cenário, como o Willard Grant Conspiracy, que segue um estilo mais sombrio, com canções arrastadas e esparsas, embaladas pelo barítono nickcaveano do seu líder Robert Fisher. Também na roda se encontram os Jayhawks, de músicas um pouco mais ensolaradas que o usual.

Porque se existe algo que une o estilo é a melancolia. As guitarras lentas, os violões dobrados, a bateria como chocalho de cobra. Tuo isso enriquecido com gaita, slide guitar, rabeca, acordeon. Sons de planícies de onde se avistam montanhas, de amores perdidos em estradas empoeiradas, da falha total em relacionamentos.

Tudo já feito com propriedade pelo country puro antes, por gente como Johnny Cash e Emmylou Harris, mas nem por isso menos verdadeiro, menos do coração. É música para noites solitárias, para dirigir como em sonhos por estradas largas. E é muito bom que resgatem isso por lá, para uma nova geração.

Alguém se habilita a fazer o alt.sertanejo por aqui?

Discografia Básica:

Sweetheart of The Rodeo - The Byrds (1968)
Gilded palace of Sin - The Flying Burrito Brothers (1969)
March 16-20 1992 - Uncle Tupelo (1993)
Strangers Almanac - Whiskeytown (1997)
AM - Wilco
Mojave - Willard Grant Conspiracy (1999)
Rainy Day Music - The JayHawks (2001)




Escrito por ADOLFO COLEN às 12:38 AM

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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003

Atravesse as palmas e prove que não é mais um na multidão

Sempre me fiz uma pergunta, por que sempre que um músico ou banda vai em um programa de auditório a platéia bate palma no estilo papa pá? Pode ser uma dupla sertaneja, um grupo de pagode, uma cantora de Lesbian Music Brasileira ou uma banda de rock, mas aquelas palmas marcadas estão sempre presentes.

Outro dia o Charle Brown esteve no caldeirão, e lá estavam elas. O Skank esteve hj no Faustão, e com ele as palmas. A pouco tempo o Deep Purple foi para o Programa do Jô e, quem estava por lá? As palmas... elas são onipresentes, devem ser atos divinos, pois só Deus pode estar em todos os lugares e, isso faz mais uma vez eu duvidar da bondade infiníta desse Deus.

Quem inventou essas palmas? Por que as pessoas acham que ela combina com tudo? Por que o público parece um robô nessas horas? Isso me faz pensar no quanto as pessoas são acomodadas, não se dando nem ao trabalho de sentir a música, se escuta uma música como quem dá corda em um relógio...

Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 12:08 AM

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Sexta-feira, Dezembro 05, 2003

Lançamento

The Beatles -Let It Be Naked - 2003

Admito: comprei desconfiado.

Let It Be, ao contrário dos que muitos pensam, não é o último album dos Beatles, mas sim o penúltimo, gravado em 1969, em pleno desmembramento da banda, mas que por problemas internos (brigas sobre seleção de músicas, clima pesado entre os integrantes, insaisfação com a mixagem), foi lançado depois do real canto de cisne, o disco Abbey Road.

E quando foi finalmente lançado, foi com a mixagem feita por Phil Spector, o famoso criador do Wall of Sound, onde a mixagem dos vocais era enterrada numa enxurrada de instrumentos dobrados e cheios de ecos. Quem quiser saber como é, escute Be My Baby, com as Ronettes, uma gema pop de primeira grandeza. Iggy pop dizia que só transava ouvindo essa música, então dá pra imaginar a excitação que esse efeito causava.

Mas em Let It Be, o temperamental Spector bateu de cara com Paul McCartney, pois encheu de orquestrações e efeitinhos as músicas, quando a idéia inicial era uma "volta às origens", um disco de rock´n´roll puro, como uma banda de garagem que um dia os Beatles foram. Por isso mesmo, ao ouvir a mixagem que foi lançada, muitos disseram que o disquinho era algo muito rebuscado, uma continuação soft das experimentações da banda.

E ouvindo essa versão "naked", dá pra perceber o quanto as coisas na cabeça da banda eram diferentes: baixo, bateria, guitarras, piano e teclados, um som orgânico, bem mais cru, ou seja, rock de primeira grandeza. Nada de violinos encharcando The Long And Winding Road, efeitinhos em Across The Universe, ou grandiloquência na música-título.

Quanto mais escuto essas músicas, mais percebo a importância dos Beatles para a música contemporânea: estava tudo ali, toda a base para os estilos de rock que viriam depois. Nas guitarras dedilhadas folk, no country rock, nas power-ballads. Sim, estava tudo lá, misturado na discografia da banda.

Esse disco é mais íntimo, no melhor sentido da palavra. Parece que eles tocam tudo ao vivo, empolgados por fazer o que gostam e sabem melhor, o ritmo forte e a melancolia carregada do fim de uma parceria.

Da primeira à ultima música, tudo maravilhoso.

Admito: chorei ao ouvir a música Let It Be, despida do lado pomposo e somente transbordando emoção.

É mais do que qualquer banda que lançou discos esse ano pôde fazer.

Cotação: 5 estrelas

Músicas: Get Back/ Dig a Pony/ For You Blue/ The Long And Winding Road/ Two of Us/ I´ve Got a Feeling/ Onde After 909/ Don´t Let Me Down (ausente no disco original, substituindo duas vinhetas)/ I Me Mine/ Across The Universe/ Let It Be

Músicas-Chave: tá brincando, né? Escute todas!


Escrito por ADOLFO COLEN às 1:05 AM

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Quarta-feira, Dezembro 03, 2003

Melhores?

Final de ano e as listas de melhores discos do ano inevitavelmente começam a sair e, inevitavelmente essas listas não refletem bem a realidade, fazendo um misto de adoração de ídolos com venda de postos a gravadoras, transformando CDs competentes e agradáveis em obras primas ou pior, tendo a coragem de colocar um CD do Justin Timberqualquercoisa na lista.

A Q Magazine da Inglaterra elegeu Elephant do White Stripes o melhor disco do ano. Tirando o fato de uma banda sem baixo não ter alma o CD está bem abaixo dos CDs anteriores da dupla. Em seguida veio o experimental Think Tank do Blur, que é de difícil audição e não chega a decolar em faixa alguma. Terceiro lugar ocupa o CD do Mars Volta, o qual escutei apenas três músicas e que eram realmente instigantes, em especial "Drunkship of Lanterns. o CD do Kings of Leon é quarto, embora não passe de outra banda (legal, diga-se de passagem), que prega o garage rock retrô, algo que já caiu no lugar comum. Quinto lugar para Justin dispensa qualquer comentário. Do sexto em diante temos alguns rappers além de Strokes em sexto e Jane's Adiction em 10°. Não comentarei sobre os Strokes, pois dei opiniões por diversas vezes sobre a banda e não tenho imparcialidade suficiente, mas o CD do Jane's Adiction é terrível... uma banda que foi pioneira no hard rock - new-metal conseguiu transformar-se numa imitação barata deles mesmo. Seria até mais justo que dessem um posto ao Linkin Park, que faz essa imitação com muito mais competência.

Em breve elaborarei uma lista dentro das minhas limitações, é claro com minha opinião...

Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 8:17 AM

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