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Domingo, Fevereiro 29, 2004
Ruido Festival - RJ, 28/02/04 Faz três anos vem sendo realizado na Cidade do Rio de Janeiro o Ruído Festival, um festival de bandas independentes que inicialmente serviu como válvula de escape roqueira em meio ao carnaval. A edição desse ano está sendo especial, está se lançando um manifesto em prol da cultura independente do RJ, todo tipo de cultura, não apenas a rock 'n' roll. O Ballroom, local do evento não recebeu um público muito grande na noite de sabado, a melhor do festival. Não foi por falta de divulgação, mas principalmente por conta de nosso eterno amigo Siro Darlan, que proibiu a entrada de menores no recinto, todavia, entre as aproximadamente 500 pessoas que lá estavam podíamos esbarrar com a formação completa do Los Hermanos (exceto o barbudo... sério, o Amarante), Penélope, ou melhor, Érica Martins, dois integrantes do B5, na verdade moleques bem parecidos com eles, além de todos os astros da noite, em especial Manu e Grazi... quem são elas? As melhores da noite... Os shows: Viana Moog - RS: Atire em mim antes que eu te mate: O segundo dia de festival não poderia ter começado pior, deixando uma perspectiva sombria para o restante da noite. A banda era fraca, o vocalista, um tanto performático, as letras extremamente pobres, a única banda da noite que, digamos, não foi calorosamente recebida, também pudera, com letras da estirpe do título aí de cima... cotação: 1/5 Tom Bloch - RS: O amor foi como um acidente... e ninguém se salvou: Começamos de forma bem clichê... sim, é a banda do filho de Luis Fernando Veríssimo, e talvez por isso percebamos um maior trabalho com relação as letras. O vocal, assim como seu pai se saiu um tanto tímido, evitando interações com um público, mas da mesma forma que o patriarca esteve sempre muito longe de ser antipático, sempre com um sorreso no rosto e acompanhado por uma boa banda empolgaram quem lá estava presente, sem exageros, mas com ótimas músicas e bons refrões. Cotação: 5/5 Leela - RJ: A musa ofuscada do Underground carioca: Para nós cariocas esta era a banda mais conhecida da noite, existe todo um folclore em cima da vocalista da banda, Bianca Jordão, que se faz de mulher de vida fácil para atrair o público masculino. A banda é puro Pop/Rock, do tipo que toca em qq rádio de rock da atualidade, seus vocais são um tanto irritantes as vezes, parecendo um misto entre cantoras infantis e lamentos eróticos e ela nem é tudo isso, ainda mais depois de sabermos quem vinha depois... Cotação: 2/5 Ludov - SP: Mistura de Cássia Eller com um cavalo: Não dá para negar, a banda tinha qualidade, instrumentalmente era competente, mas a vocalista com suas caras e caretas e sua interpretação no melhor estilo música brega fizeram a banda jogar fora um bocado de potencial. O que se via na casa era o oposto do que eu sentia, muita gente fora lá só para assistir a banda, que aparentemente é bastante conceituada na cena alternativa. Encerraram a apresentação chamando ao palco a Bianca Jordão e a Grazi... valeu o show, nesse momento nem seus vocais deficientes estragaram o momento, por um final triunfante o show se salvou... Cotação: 2,5 /5 Wonkavision - RS: A salvação do Rock, pelo menos no visual...: Sim, estava altamente sugestionado a gostar do show, homem ficaria após estar frente a frente com a Manu (teclado e voz) e a Grazi (Baixo e voz), tentei assistir o show com um olhar crítico, mas não desviei os olhos delas. O vocalista principal pareceu meio fraco, mas talvez essa opinião seja motivada pelo meu desejo de ver as meninas cantando o tempo todo, a banda faz um pop/rock alegre, "pra cima", que fica lindo na interpretação e performance da dupla feminina, elogiados por Marcelo Camelo e Fernanda Takai devem ter um potencial, mas com certeza não será maior que a beleza de Grazi e Manu. Cotação: 4/5 Walverdes - RS: Como eles fazem tanto barulho?: Logo que cheguei fui a barraca de CDs adquirir o CD desta banda, pois tinha várias músicas deles na minha antiga Rádio Virtual na Usina do Som, peguei o CD e perguntei, já com o dinheiro na mão, para um "NERD" sorridente quanto era... 10 reais, ele disse com seu carregado sotaque. Já beiravam às 4 da manhã quando o show iniciou e, para minha surpresa aquele mesmo NERD estava lá, cantando e despejando fúria na guitarra. O único trio da noite, com apenas uma guitarra, baixo e bateria fizeram um verdadeiro esporro sonoro para humilhar aquela banda que se achava Hard Rock que abriu a noite. Bem humorados e com grande carísma dedicaram uma música ao Exmo. Dr. Juiz de Direito Siro Darlan. Fecharam a noite com chave de ouro. Cotação: 5/5 Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 6:59 PM Ficha Técnica:
Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
Züriwest - Retour Essa é para quem diz que a língua alemã não dá música, não tem melodia, que só serve para o heavy/trash metal... Züriwest é uma banda suiça, mais precisamente da parte alemã de lá, cantam em suiço-germânico e pasmem, tem ótimas melodias. Juro que quando pensava em músicas cantadas em alemão imaginava um baixinho bigodudo berrando com voz rasgada, fazendo saudações nazista e queimando judeus, mas nesse CD não tem nada disso (a não ser que as letras sejam anti-semitistas, mas não vou me preocupar com isso, uma vez que não entendo nada...). O CD estava em exposição em uma loja que entrei. Minha prima colocou-me para escutar uma música que ela gostava e achei interessante adquirir o CD como curiosidade, mas, ouvindo o CD não é que comecei a gostar dele? O canto flui naturalmente, os instrumentos se não tem um toque muito elaborado são perfeitos em sua simplicidade. Fechando os olhos e deixando a música penetrar nem se percebe estar diante de uma língua tão antirítmica. O CD é uma coletânea, eu acho, trás algumas performances ao vivo tb, destacarei a princípio 3 músicas, "Lue zersch wohär dass dr Wind wääit" e "I schänke dir mis Härz", a primeira é uma versão para uma canção de Lou Reed que tem um couro de Tchutchurutchu contagiante e a segunda um rítmo cíclico viciante, por fim, Flachgleit, versão em alemão para uma música de Bruce Springsteen. Quando aprender alemão começo a falar no contexto das letras, por enquanto vai uma sem comentários e que provavelmente deve ter algo a ver com a versão em Inglês... Lue zersch wohär dass dr Wind wääit - versão para uma música de Lou Reed Sie chunnt vo Schtuckishuus u gseht nid schlächt us u heisst Lena u sie isch nöi ir Schtadt u no nid bekannt uf dr Szene u dr erscht Typ wo're e Drink schpändiert weiss e easy Job wo tierisch räntiert i säge Lena lue zersch wohär dass dr Wind wääit Lena lue zersch wohär dass dr Wind wääit dr Hans vo Schtans o är isch isch no nid lang hie trifft e jungi Dame u verliebt sech tödlech i die u am Morge liegt är allei im Bett u das isch so ziemli aues wo sie ihm daglaa het Hans lue doch wohär dass dr Wind wääit hey Hans lue zersch wohär dass dr Wind wääit u dr Wind wääit: tü tütü tütü usw. usf. dr Fritz ä r schteit uf dä Schriiner vo Hasle-Rüegsou gseht mit däm Schlitz im Chleid no femininer us aus d'Monroe u nach em erschte Tanz sie hei sech drääit u gwunde isch dr Schriiner ganz irritiert verschwunde lue doch wohär dass dr Wind wääit i säge hey Baby lue doch wohär dass dr Wind wääit dr Gere scharrt bim ne junge Ding us em Thurgou u die seit öppe au haub Schtung los i mues mau u sie redt so viu ä r cha're fasch nid fouge Gere lue doch dere mau genau i d'Ouge u lue doch eifach wohär dass dr Wind wääit i säge hey Gere lue doch wohär dass dr Wind wääit u jitz d'Annette o sie het Problem mit Droge nid we sie het aber we sie se mues bsorge sie laat dr ganz Puder uf em Tisch la liege u schlaft bi offnem Fänschter u ir Nacht het's zoge Annette lue doch wohär dass dr Wind wääit i säge hey Annette lue doch wohär dass dr Wind wääit u dr Wind wääit... Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 9:04 PM Ficha Técnica:
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004
Tesouro Perdido
The Triffids - Calenture (1987) Calenture: Febre tropical ou delírio sofrido por marinheiros após longos períodos longe de terra firme, onde imaginam que os oceanos sejam campos verdes e desejam mergulhar neles. Assim está escrito no encarte desse album de 1987, onde The Triffids levam a extremos seu panorama sonoro, refinando a beleza já presente em seu disco anterior, Born Sandy Devotional. A banda iniciou atividades na Austrália em fins da década de 70, um ajuntamento de colegas de escola na cidade de Perth, na costa oeste do continente. Liderada por David McComb e seu irmão Robert, lançaram dois discos em seu próprio país, antes de se aventurarem pela Inglaterra, na metade da década de 80. O som da banda naquela época já era uma reação à tendência mais eletrônica e pop do momento, onde melodias agridoces eram acompanhamento perfeito para a poesia árida e apaixonada de David. Talvez por seu isolamento geográfico, o country e o folk melhor expressavam a sensação de afastamento, de estradas sem fins e amores extremados presentes em suas canções. Quando lançaram Born Sandy Devotional a banda causou grande comoção na mídia especializada, por ser um passo à frente em termos de arranjos, já que muitos diziam não ouvir algo tão intenso assim desde os bons tempos do The Doors. As comparações com Jim Morrisson não são tão exageradas, talvez pelo timbre de voz de David, e de sua tendência a se "entregar" nas interpretações das músicas. Na minha opinião Calenture é melhor que o disco anterior, mas é uma interpretação pessoal. Quando ouvi os primeiros vocais de Bury Me Deep In Love, uma sensação forte de empatia tomou conta de mim. Ali estava uma banda que não tinha vergonha de mostrar seus corações, de usar guitarras em cascata acompanhadas de violinos de uma forma expansiva, forte, e sem nunca, nunca cair no piegas. O disco todo segue nessa linha, de canções sinuosas, de arranjos ora esparsos, ora sólidos, dando a sensação de uma experiência romântica em toda sua extensão, onde se solta e se segura em questão de mintutos. Em um minuto repleto de tristeza e sobriedade, no outro de uma felicidade sem limites, quase maníaca. Produzido por Gil Norton, mais tarde famoso por sua ligação com os Pixies, é um album único na década de 80. As canções são sempre tramadas nas guitarras e nas cordas, acentuadas em seus momentos de maior tensão ou beleza pela slide guitar, o dobro, a gaita. São como climas, pequenas trilhas sonoras para as narrativas do vocalista, sempre lidando com a loucura e o amor de formas iguais, e não excludentes (afinal, elas nunca são). Resumindo, um momento especial na música pop, em que música e palavras se juntam como em uma nova liga metálica, não dando espaço para que se interprete uma sem a presença da outra. Inesquecível. E infelizmente, um ato difícil de superar. E, claro, eles não conseguiram. Após lançar mais um disco, com tendências mais pop (talvez uma tentativa de conseguir algum sucesso, que sempre escapou), a banda encerrou atividades em 1989. Alguns formaram outras bandas, outros viraram professores universitários. David McComb, um dos maiores poetas da música de qualquer época, morreu em fevereiro de 1999, depois que seu coração transplantado parou sem explicações. A melhor delas, talvez, é que seu corpo sentia saudades do antigo. Cotação: 5 estrelas Músicas: Bury Me Deep In Love/ Kelly's Blues/ A Trick of The Light/ Hometown Farewell Kiss/ Unmade Love/ Open For You/ Holy Water/ Blinder By The Hour/ Vagabond Holes/ Jerdacuttup Man/ Calenture/ Save What You Can Músicas-Chave: Bury Me Deep In Love/ Open For You/ Blinder By The Hour Escrito por ADOLFO COLEN às 12:16 PM Ficha Técnica:
Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004
Verdena - Il suicidio dei samurai Em minha busca por world rock acabei chegando nesta banda, procurava essencialmente bandas que cantassem em idiomas que não fossem o inglês, e era só essa a exigência e, por isso, passo a falar um pouco dessa banda, que é uma cópia deslavada de muita coisa que tem por aí, mas que canta no idioma próprio, o italiano. O vocalista as vezes parece com o do Coldplay, as vezes com o Radiohead, Stereophonics, as vezes uma banda de Alternative Rock. A banda não passa de um Britrock misturado com o Alternative americano, mas em italiano, só isso faz valer a pena, muito embora eu goste desses estilos, e, muito mais embora ainda, o Travis tenha pisado na bola ultimamente, o Radiohead tenha se tranformado em uma banda de Space Rock e outros pormenores e o alternative rock não apresente mais nada a não ser cópias de Creeds, que por sua vez era uma mistura de Metallica com Pearl Jam com qualidade bem inferior... Acredito eu que esta banda seja a mais nova sensação italiana fabricada pelas rádios comerciais e pela MTV local. Quem quiser escutar um som diferente não deve perder seu tempo com ela. O Hit deles se chama Luna, ví o clipe na MTV e então fiquei conhecendo a banda. O início da música me lembrou uma do Zwan, em seguida entra num refrão arrastado estilo Coldplay ou Radiohead em suas vertentes mais Rock e assim a música segue, também lembrando o Travis nos tempos de "All I wanna do is Rock". Um solo de guitarra segue no melhor estilo alternative rock. Essa levada marca praticamente todo o CD. Luna Dipingimi distorto come un angelo anormale che cade Offendimi, se odiare è un crimine il prezzo è uguale e fa male E vedo te, io e te, niente conta in fondo Illumina annulla le paure oh luna nulla è uguale Sarò così onesto come se tu fossi il mare, il mare E vedo te, io e te, niente conta e crolla, crolla E vedo te, io e te, niente conta in fondo. Iuffa Site oficial: http://www.verdena.com Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 9:39 AM Ficha Técnica: |
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