![]() |
||||
|
Quarta-feira, Julho 28, 2004
Antológico
Ian McCulloch - Palácio das Artes (27/07/2004) É um show de primeiras vezes. Primeira vez que Ian McCuloch se apresenta em BH, primeira turnê acústica, primeira colaboração com artistas brasileiros. Que o cantor adora o país não é novidade, já que desde 1987, quando veio ao Brasil com o Echo and the Bunnymen pela primeira vez, ele parece ter se ligado quase de forma simbiótica ao clima das platéias e à nossa caipirinha. O Palácio das Artes recebe uma platéia numerosa, formada principalmente por fãs das antigas, se levarmos em conta a infinidade de pessoas com mais de trinta anos presentes. Talvez por isso o clima de cumplicidade seja evidente desde o início do show, até em músicas menos conhecidas de seu mais novo disco-solo, da qual retira das primeiras músicas do show. Logo depois delas, começa a esquentar o público, com Start Again, canção de seu primeiro solo (Candleland, de 1989). Logo depois dela, fala com o público: "Estou me sentindo muito bem hoje. Vai ser uma noite especial". Emenda logo depois Pictures on My Wall, seu primeiro single com os Bunnymen, do final dos anos 70. A banda, nessa fase inicial, se resume a violão, uma guitarra e teclados, tocados por músicos dos Bunnymen atuais (Paul Fleming e Goudie Gordon). A acústica do Palácio é excelente, assim como a qualidade das canções. A primeira cover da noite é Suzanne, do Leonard Cohen, intimista, muito bonita. Pale Blue Eyes segue, sendo a primeira cover do Velvet Underground da noite (contando com Walk on The Wild Side de Lou Reed solo, serão 4 canções). A platéia pede canções da época dos Bunnymen, e Ian é muito simpático com todos, perguntando o que mais querem ouvir. Alguém grita The Game, e ele a leva somente no violão, sendo ajudado pelo público quando esquece uma parte da letra. Ainda canta partes de Flickering Wall e The Promisse, e ninguém sabe quem está se divertindo mais, se nós ou ele. Quando retorna com a banda, com os músicos brasileiros Da Lua (percussão) e Silvio Mazzuca (baixo). Diz que vai tocar Heroes do David Bowie, e alguém pede a música Changes. Ele imediatamente se anima, pede para o tecladista tocá-la, e a canta inteirinha, seguindo então com Heroes. Lê a carta que uma fã joga no palco, conversa com outra no intervalo de uma canção. Samuel Rosa participa de Lips Like Sugar, incendiando o palco com o riff de guitarra. Provavelmente essa música é o ponto alto do show, altamente carregada de eletricidade, e sensualidade. Mas também é nessa música que se sente mais falta de uma bateria, pois a percussão de Da Lua não consegue carregar o ritmo da canção. De qualquer maneira termina de forma excelente, com Ian chamando todos para tomar umas cervas na casa de Samuel, e observando que ele parece mais britânico que muitos ingleses... Quando o show termina, com a inevitável (e linda) Killing Moon, fica uma certeza: BH viu poucos shows como esses, cheios de qualidade e simpatia. Tantos momentos bonitos, tantas músicas clássicas. Talvez eu guarde melhor um momento de Rust, durante o qual no refrão cai silencioso atrás de Ian McCulloch um pedaço solitário de purpurina. Após a música ele fala: prometo que trarei a banda para Belo Horizonte na próxima turnê. Assim esperamos, assim esperamos. Cotação:5 estrelas. Escrito por ADOLFO COLEN às 6:51 PM Ficha Técnica:
Quinta-feira, Julho 22, 2004
A Volta dos Que Não Foram É uma época de retornos no rock dito alternativo mundial, em que medalhões dos anos 80 voltam a dar as caras no circuito musical. Talvez influenciados pela nova safra de bandas por sua vez influeciadas por eles. São as voltas que o mundo pop dá, a tendência usual de morder o próprio rabo. Eu acho relevante. Um moleque que gosta de Strokes descobrirá o Velvet Underground, um que gosta de Interpol o Joy Division, e por aí vai. Hoje em dia, com as informações cada vez mais rápidas, seria fácil se pensar que haveria uma maior informação e acesso às músicas dessas bandas. Mas não há. Os motivos são muitos, e muitas vezes se misturam: falta de interesse de rádios, TV e fãs são os com maior índice de culpabilidade. Afinal de contas, o novato vai procurar na net o que ouviu no rádio, o que achou legal na TV, e não o que um blogueiro obscuro reclama em algum canto do mundo. As coisas funcionam assim, então se torna válido que se lancem novos trabalhos, que terão melhor chance de visibilidade, afinal o mundo da mídia sempre funcionou e funcionará na base do mais recente e brilhante. Então, com meu papel de blogueiro obscuro, vou falar dos três singles iniciais desses artistas que retornam de muitos anos escondidos, com alguma exposição da MTV.
Morrissey - Irish Blood, English Heart/ The World is Full of Crashing Bores A segunda música é a de trabalho nos EUA, com letras divertidas e patéticas acompanhadas em um som típico de Morrissey solo, portanto é passável. Já a primeira, essa sim, é a que traz o vídeo, a que foi lançada na Inglaterra, e é a que impressiona. Desde o início, com uma base de guitarra repetitiva feita com o único objetivo de criar tensão, já sabemos que vem algo mais pesado por aí. E ele chega rapidamente na forma de um refrão pegajoso, sujo, com guitarras altas e um dos melhores vocais que já ouvi do cara. Esqueça a letra se não é inglês, o que vale é o tesão, e isso tem de sobra. Belo retorno, 4 estrelas.
Velvet Revolver - Slither Slash, Duff Mckagan, Matt Sorum largaram a maior banda de rock do final dos anos 80 e início dos 90 (em vendagens), e cada um seguiu para o seu lado. Enquanto Axl Rose briga com seu Chinese Democracy, uma da qual não sei se saberei o resultado ainda nesta década, eles se juntaram ao ex-guitarrista do Suicidal Tendencies e ao eterno junkie Scott Weiland,e resolveram fazer o que sabem melhor: hard rock, puro e simples. Sem firulas. Sem existencialismo vazio e pouco inspirado como o Nickelback. Somente rock como forma de diversão, solos de guitarras e sexo perigoso. Ponto para eles, 3 estrelas.
The Cure - The End of The World O Cure nunca acabou, mas experimenta um ostracismo cada vez mais profundo, pois desde Friday I'm in Love (92) não raspam em alguma forma de inconsciente popular. Talvez com o sucesso underground de bandas como o Rapture e o Franz Ferdinand (nitidamente inspirados na banda), talvez seja essa a hora de uma ressurreição. End of The World é uma música densa, com leve tempero pop, mais calcada nas guitarras e baixo que nos teclados, que pareciam em algum momento querer afundar a banda. Possui aquela melancolia adorável tão única do grupo, e pode sim ser a chance de sucesso com a nova geração, portanto ganha 4 estrelas. Escrito por ADOLFO COLEN às 2:55 PM Ficha Técnica:
Domingo, Julho 11, 2004
Do enlatado ao molho fresco... Evanescence e Nightwish Não há outra explicação. Nada pode explicar o repentino sucesso do Nightwish na mídia senão o furacão Amy Lee e sua banda Evanescence. Os últimos CDs do Nightwish vinham marcando uma constante perda de prestigio da vocalista, que, outrora, era a "alma" da banda. Ela, em muitas oportunidades deixou o posto de vocalista, a banda, acho eu, acreditava que essa fórmula estava ultrapassada, ou seja, um heavy metal melódico com um vocal forte e marcante feminino. Talvez achassem fosse brega, ou apenas ultrapassado. Surgiram atritos em decorrencia disso. O ego da cantora não admitia que ficasse em segundo plano, mas isso era compreensivo. Todos os fãs do Nightwish gostavam da banda por causa dela, mas o que o restante da banda buscava era ampliar seu rol de aficcionados e uma mulher com vocais clássicos parecia ser o oposto do que o mercado buscava... por pouco a banda não acabou, por pouco Tarja não abandonou o barco. Mas a sorte virou, sem que nem porque uma banda "similar" estourou mundialmente. O Evanescence tornou uma fórmula indigesta em um suave vinho de sobremesa e o que antes era inconcebível para o grande público virou (sic) moda. A banda finlandesa que a algum tempo se utilizava da mistura de heavy metal lírico e vocal clássico pôde finalmente lançar um CD que tivesse apelo fora da fechada panelinha do Heavy Metal, mas, o preço que tem que pagar por isso é ser taxado por muitos como cópia de Amy Lee e companhia. Eles queriam o sucesso, e esse foi o preço. Só o tempo dirá a quão caro foi... Escrito por GUSTAVO MACIEIRA às 4:39 PM Ficha Técnica: |
||||
|
|
||||
| IE, 1024x768 ou nada? - Reconstrução |
layout:omutante |
|||